Moradores do Parolin, em Curitiba, realizaram um protesto na última semana contra a violência policial. O ato faz parte de uma série de medidas encabeçadas pela Rede Nenhuma Vida a Menos, com o intuito de discutir soluções para a violência policial no bairro. Entre as estratégias, eles tentam chamar atenção do Ministério Público do Paraná (MPPR) para a ação da Polícia Militar (PM), mas relatam dificuldades em conseguir agenda.
De acordo com Patricia Herman, uma das organizadoras da Rede, em agosto, após um protesto em frente ao MP, uma comissão de familiares foi recebida com a promessa de que uma reunião seria marcada com o Francisco Zanicotti, procurador-geral, mas até agora não houve retorno.
Os moradores do bairro também procuraram ajuda tanto na Defensoria Pública do Estado que, em maio, respondeu que tomaria providências. Nesta ocasião, um ofício foi encaminhado para vários órgãos do Poder Judiciário.

O documento aponta que as ações truculentas da Polícia Militar “não são novidades, mas estão crescendo nos últimos meses”. O ofício foi encaminhado para as autoridades logo depois da morte de três jovens no bairro, um deles de apenas 16 anos, em uma situação a a PM classificou como “confronto”, embora testemunhas relatem que os três estavam rendidos.
No início deste mês um novo ofício foi enviado ao MPPR solicitando agenda. Neste documento, a Rede Nenhuma Vida a Menos lembra da morte de Ivan Ramos Mathias Filho, com suspeitas de tortura por conta dos agentes no dia 23 de agosto.
O texto também fala de Alexsandro dos Santos, que era morador do bairro, mas morreu em Campo Largo durante cumprimento de mandado de busca e apreensão. Neste caso, também foi relatado “confronto”.
O documento solicitava reunião dentro de 15 dias com representantes do MP, mas isso não aconteceu até agora.
O Plural procurou o MPPR para saber sobre a agenda, mas até agora não obteve retorno até o fechamento deste texto.