A Polícia Civil está investigando a morte do policial aposentado Sandro Carlos da Rocha, de 59 anos, na tarde desta terça-feira (24 de fevereiro), na BR-277, entre os municípios de Céu Azul e Matelândia, no Oeste do Paraná, baleado durante a abordagem de uma equipe da Rotam, da Polícia Militar. Portais de notícias informaram que ele foi morto em um confronto com os PMs, mas no boletim de ocorrência não consta que ele estivesse armado.
Três entidades de classe da Polícia Civil do Paraná divulgaram uma nota nesta quarta-feira (25), em que demonstram "profunda preocupação" com o caso. A Associação dos Delegados da Polícia Civil (Adepol), o Sindicato dos Delegados Policiais Civis do Estado (Sidepol) e o Sindicato das Classes Policiais Civis (Sinclapol) cobraram um "rigoroso esclarecimento, especialmente quanto à dinâmica da abordagem e ao suposto confronto noticiado, uma vez que as informações preliminares indicam que o policial civil aposentado estava desarmado e foi morto com um disparo de tiro arma de fogo na região da nuca".
Segundo o boletim de ocorrência feito na Delegacia de Homicídios de Foz do Iguaçu, Rocha conduzia uma motocicleta pelo acostamento da BR-277. Um dos policiais teria identificado o veículo, que, acordo com a PM, era constantemente flagrado em desvios para fugir da fiscalização da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Os PMs teriam tentado abordar o ex-policial civil, que teria fugido em meio aos outros veículos e desacelerado em uma entrada da rodovia. Os policiais teriam tentado abordar Rocha, "porém o condutor agindo em clara intenção de atentar contra a integridade física dos agentes, voltou a acelerar bruscamente a motocicleta" na direção de um cabo e de um soldado, diz o boletim de ocorrência.
Em seguida, de acordo com o relato, um dos policiais atirou duas vezes "em direção ao pneu traseiro da motocicleta". Outro PM também teria tentado utilizar a pistola, mas a arma teria falhado e ele passou a utilizar um fuzil. Ele atirou duas vezes. Rocha caiu e, após acionarem o Samu, os policiais teriam constatado que o policial civil estava morto.
O boletim de ocorrência não explica como os PMs atiraram na direção do pneu traseiro da motocicleta, já que Rocha "voltou a acelerar bruscamente a motocicleta" na direção dos policiais. Portais de notícias trataram o caso como "confronto" e afirmaram que houve troca de tiros, mas em nenhum momento o boletim cita que Rocha estava armado.

Segundo os PMs, foi encontrada "grande quantidade de mercadorias ilícitas vindas do Paraguai" no baú da motocicleta. O boletim informa ainda que Rocha, em outra ocorrência, havia ferido um policial militar.

Nota da Sesp
A reportagem entrou em contato com as assessorias da Polícia Civil e da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) na tarde desta quarta-feira (25). Em nota, a Sesp afirmou que a Polícia Civil aguarda a conclusão da Polícia Científica. Segue a nota:
A Secretaria da Segurança Pública do Paraná (Sesp) informa que as circunstâncias da ocorrência registrada na BR-277, no Oeste do Estado, estão sendo apuradas pela Polícia Militar e pela Polícia Civil. A Polícia Científica realizou os procedimentos periciais no local e a coleta de vestígios, que irão subsidiar a análise técnica e contribuir para o esclarecimento completo dos fatos. A investigação segue os protocolos legais e operacionais previstos, com o objetivo de garantir transparência e rigor na apuração.
