Quando pensamos em Natal, alguns símbolos tradicionais associados a essa época vêm à mente. Entre eles está o Papai Noel. A imagem do "bom velhinho", de barba branca e vestes vermelhas nem sempre foi assim e, muito diferente do que se pensa, não nasceu no Polo Norte, mas sim na Turquia.
Originalmente, o Papai Noel nem tinha esse nome e era mais conhecido como São Nicolau, um bispo católico que viveu na Turquia entre os séculos III e IV. Nicolau, segundo contam as lendas, era um homem bondoso que presenteava as crianças em dezembro.
A ideia do Papai Noel que conhecemos hoje foi moldada ao longo dos séculos e tem muitas influências. As roupas de inverno, por exemplo, foram adicionadas quando o bom velhinho chegou à Europa e sofreram influência das tradições germânicas e nórdicas.
Já a cor vermelha foi popularizada nos anos 30 por campanhas da Coca-Cola, que, além do vermelho, deram ao Papai Noel um gorro e um saco de presentes. A lenda que conhecemos hoje é de que o bom velhinho mora no Polo Norte e, todos os anos, entra nas casas pela chaminé e distribui presentes a todos na noite de Natal.
Embora o endereço fixo do bom velhinho seja o Polo Norte, não é raro encontrá-lo em outros lugares do globo. “Se você encontrar o Papai Noel na rua, é porque algum motivo tem. Ele muito provavelmente está olhando para ver se você está se comportando, para ver se você está merecendo ganhar os presentes. Venha conversar com o Papai Noel, mas não estrague o disfarce dele”, explica o bom velhinho, ou melhor, Romildo Kulyk, que há dez anos dá vida ao Papai Noel durante o mês de dezembro.

Outro aspecto da lenda que é amplamente difundido é que durante os outros 364 dias do ano, Papai Noel se prepara para o Natal. E sim, isso é verdade, ou pelo menos em partes. “Eu vivo na correria. Como Papai Noel, digo que estou fazendo brinquedos na minha fábrica o ano todo”, conta Noel.
Já como Romildo, sua principal ocupação é a jardinagem e o paisagismo, que só são deixados de lado com a chegada do Natal. “Durante essa época do ano eu flexibilizo meu trabalho. Como sou Papai Noel há muitos anos, as pessoas que atendo já sabem que vou me ausentar por alguns dias. Tem ainda pessoas que trabalham comigo e um colega que costuma trocar algumas escalas quando preciso”, diz.
Essa preparação toda tem um motivo: na noite do dia 24 de dezembro, o Papai Noel presenteia a todos, ou pelo menos os que se comportaram bem. Essa ideia de que só ganha presente quem se comporta bem não tem uma origem certa, mas se especula que essa história foi implementada por pais na tentativa de fazer com que os filhos se comportem o ano todo.
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Embora o presente faça parte do Natal e seja usado como moeda de troca para o bom comportamento, para Noel essa data tem outros significados. “Eu acho que para cada um o Natal tem um significado único. Para você, de repente, é um reencontro com pessoas que são queridas para você. Para algumas outras pessoas, é a melancolia de lembranças de pessoas especiais que não estão mais presentes. Para algumas crianças, é o momento de reunir os parentes, os primos distantes, e isso vale para adultos também”, diz.
Falando em adultos e crianças, para o bom velhinho, elas são mais iguais do que diferentes no Natal. “A coisa mais linda que eu vejo, quando as crianças me olham, é essa magia. Esse crer num ser que ultrapassa gerações, adultos e crianças, que acreditam e ficam maravilhados ao ver o Papai Noel. E os adultos, algumas vezes, chegam a ser até mais infantis que as crianças: abraçam e ficam encantados com o Papai Noel.”
É a crença no Papai Noel que faz Romildo se emocionar com algumas das muitas histórias que já viveu como o bom velhinho, e tratar a roupa do Papai Noel com o maior respeito. “Vestido como o Papai Noel, eu mexo com a emoção das pessoas e não tem nada que eu possa fazer para manchar ou desrespeitar essa farda que eu uso”, diz.
Para Romildo, um dos maiores símbolos do Papai Noel é a esperança. Já com os olhos marejados, ele se recorda de uma das histórias da profissão que mais o emocionaram: “Uma vez, eu estava em um hospital e uma adolescente em tratamento para câncer, que deveria ter seus 15 anos, me deu um abraço e pediu a cura. Aos 15 anos você imagina que ela talvez não fosse mais acreditar no Papai Noel, né? Aquilo me desmontou. Tive que fazer um intervalo e sair para chorar. Foi terrível eu escutar, mas foi gratificante ver que as pessoas têm em uma figura ou algo para acalentar o coração, uma esperança para se apegar de alguma forma.”
Independente de quem seja ou dê vida ao Papai Noel, o que se sabe é que o velhinho tem boa memória. Como diz a música ‘O Velhinho’ de Dominguinhos: “Como é que Papai Noel não se esquece de ninguém? Seja rico ou seja pobre, o velhinho sempre vem” e aqui acrescentando se o velhinho não vem ele manda seus ajudantes.