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O que é a empresa de anúncios de prostituição que tomou conta dos outdoors de Curitiba?

Fatal Model, que aparece em outdoors, adesivos de carros e estádios, é empresa milionária de divulgação de acompanhantes

O que é a empresa de anúncios de prostituição que tomou conta dos outdoors de Curitiba?
Fatal Model: empresa de anúncios de prostituição faz propaganda nas ruas e em estádios de futebol. Foto: Divulgação
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Nas últimas semanas, os curitibanos passaram a conviver com uma campanha massiva de publicidade. Outdoors e adesivos de carro alardeiam que uma empresa especializada na divulgação de serviços de prostituição, a Fatal Model, chegou à cidade. Com cores berrantes e fotos de mulheres, sem especificar o que exatamente faz o site, os anúncios chamam a atenção até de crianças.

Mas afinal, o que é essa empresa? Por onde passa, a Fatal Model cria polêmicas e se envolve em disputas, além de ser alvo de denúncias. Uma das críticas mais comuns é justamente ao estardalhaço das campanhas publicitárias - ao contrário de antigos serviços que anunciavam "acompanhantes", a empresa faz questão de estar à vista de todos, inclusive com publicidade em estádios de futebol.

O ICL (Instituto Conhecimento Liberta), site e canal de YouTube de propriedade do empresário Eduardo Moreira, fez críticas à propaganda da empresa em evento esportivo de classificação indicativa livre - no caso, uma partida de futebol. “A paixão das crianças é o futebol, aí elas veem isso aqui e entram no site para saber o que é, a propaganda é feita para isso… E se depararam com a maior plataforma de acompanhantes do Brasil”, disse Moreira.

O que aconteceu em seguida, segundo o ICL, foi uma retaliação feita pela Fatal Model, que teria colocado um caminhão em frente à sede da empresa para, supostamente, intimidar as pessoas que trabalham lá. O caminhão tinha pintada na lateral a inscrição: "O que mata é o preconceito! Respeito, segurança e dignidade."

Em outro episódio de confronto com a imprensa, a Fatal Model foi denunciada pelo site Repórter Brasil. Nesse caso, a questão era de cunho trabalhista. Mulheres que anunciaram seus serviços na plataforma reclamavam de taxas abusivas e de criar um ambiente "hipercompetitivo", o que forçaria as profissionais a baixar os preços de seus serviços.

“Neste mês, ficou super comum os caras falarem assim: ‘Eu tenho R$ 20 para a gente fazer uma chamada de 10 minutos’. Eu respondo que esse não é o meu valor para 10 minutos e eles falam coisas como: ‘É o que eu tenho. É pegar ou largar’”, comentou em entrevista ao Repórter Brasil profissional que preferiu não se identificar.

A Fatal Model respondeu, em entrevistas sobre o assunto, que mais de 60% dos acompanhantes que anunciam na plataforma optam pelo serviço gratuito, que não ganha destaque nas páginas. A empresa também afirma que trabalha para dar segurança e dignidade aos profissionais do sexo.

Embora exista no Brasil o crime de lenocínio (ou seja: é proibido ganhar dinheiro com a prostituição alheia), especialistas ouvidos pelo Plural dizem que não há como classificar a atuação da Fatal Model como ilegal. A estratégia da empresa é de apenas divulgar as acompanhantes, sem ter qualquer contrato com as profissionais.

A própria empresa diz isso. Em entrevista à revista Exame, uma representante do site disse isso quase literalmente. “Somos como a OLX ou versão digital do que eram os classificados nos jornais.”

Propaganda da Fatal Model em estádio. Foto: Divulgação

A acusação de desrespeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) tem mais fundamento, embora seja difícil apostar que algum juiz fosse condenar a empresa pelos seus anúncios em ambientes públicos. "A situação é complexa, não existe uma regra clara que proíba esse tipo de publicidade", disse uma fonte do meio jurídico ao Plural.

Por isso mesmo, a empresa não vê problemas inclusive em patrocinar times de futebol. O primeiro a usar a marca da empresa na camisa foi o Vitória, em 2023. Em certo momento, porém, oito times da Série B do Campeonato Brasileiro estavam com patrocínio da empresa e de seus serviços sexuais.

De onde veio?

Criada em Pelotas, no Rio Grande do Sul, a Fatal Model aparece nos registros públicos como sendo de propriedade de Jean Felipe Garcia Quadro, que seria dono de diversas outras empresas de tecnologia. A empresa de serviços sexuais se apresenta como uma "start up" e aparentemente tem um faturamento imenso.

Com cerca de 50 mil profissionais cadastrados - sendo cerca de 20 mil com anúncios pagos - a empresa chegou a fazer uma proposta de "naming rights" para o estádio do Vitória, o Barradão, por R$ 100 milhões. Ao chegar em Curitiba, houve o boato de uma proposta do mesmo gênero, no valor de R$ 250 milhões, para o Athletico que passaria a usar o nome da empresa na atual Ligga Arena - a notícia, porém, divulgada pelo Portal Leo Dias, não se confirmou.

Rogerio Galindo

Rogerio Galindo

Jornalista, um dos fundadores do Plural.

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