Bússola – A nova newsletter semanal do Plural, cheia de dados para você
O governador do Paraná, Ratinho Júnior, está tratorando as consultas públicas para implantação do projeto de terceirização das escolas estaduais. O Plural tem noticiado o assunto com frequência, graças ao grande repórter José Marcos Lopes.
Mas o que faz esse negócio tão atraente? É hora de olhar os dados. Desde o início do governo Dilma Roussef, em 2011, e o boom de matrículas na Educação Superior promovido pela ampliação dos programas Prouni e FIES. Aquele ano foi um marco de um processo de aquisições e concentração de marcas da educação privada em alguns poucos grupos.
O movimento não se restringiu à educação superior. Em Curitiba, o grupo SEB (Sistema Educacional Brasileiro) comprou em 2008 os colégios da rede Dom Bosco. Não foi a única operação do gênero.

O Grupo Positivo, que vendeu a Universidade Positivo para a Cruzeiro do Sul em 2019, comprou dois colégios Expoente da massa falida da marca no mesmo ano. As demais aquisições do grupo foram no interior do Paraná e em São Paulo. O Grupo Inspira comprou as escolas Stella Maris e Acesso de Curitiba. O Grupo Marista comprou o Anjo da Guarda.
Além de comprar unidades, os grupos educacionais também fizeram um segundo movimento importante: começaram a negociar ações na Bolsa ou pelo menos começaram o processo de abrir capital.
Na prática, a mudança de empresas locais para grandes grupos econômicos acentua o foco no resultado financeiro da operação. Pelo menos sete grandes grupos da área negociam na B3: Cogna, Anima, Cruzeiro do Sul, Atom Educ, Ser Educacional, Bahema Educação e Yduqs Participações.
O Grupo Salva (que se classificou em primeiro lugar em todos os quinze lotes do Parceiros da Escola, do governo do Paraná), ia abrir capital em 2021 e depois em 2024, mas desistiu.

Querida, o mercado encolheu
Enquanto o negócio de ensinar atraia a atenção de investidores, o Brasil vivia uma mudança importante: uma redução no índice de natalidade. Quando o Censo de 2020 foi finalmente realizado em 2022, as estimativas populacionais calculadas entre 2010 e 2020 erraram a marca.
Em Curitiba, por exemplo, a população projetada para 2020 era de 1,95 milhão de habitantes. Mas o Censo de 2022 chegou a outro total: 1,77 milhão de habitantes, quase 10% a menos. No Brasil, a diferença foi de 4%.
Nas matrículas da rede de ensino brasileira (tanto pública quanto privada) apenas um nível não sofreu com redução de alunos: a educação infantil.
Pode parecer contraintuitivo, mas há uma razão para isso. Desde 2013 a matrícula de crianças de 4 anos na pré-escola passou a ser obrigatória, o que aumentou a demanda. A matrícula no Ensino Fundamental já era obrigatória antes disso.

A rede privada de ensino fica só com um pedaço do mercado da educação. No Ensino Fundamental, só 25% dos alunos dos Anos Iniciais e 20% dos Anos Finais estão na rede privada. Ou seja, se o número total de alunos não vai crescer, o único caminho para expandir o negócio é conquistar uma fatia da concorrência: a rede pública.
Vamos revisar a Educação Sexual?
Outro dia eu me vi numa discussão no Reddit que me assustou um pouco. Era sobre o tal "Golpe da Barriga". Um rapaz dizia ter sido enganado porque a namorada era infértil, mas engravidou. A discussão, claro, enveredou para a efetividade de métodos contraceptivos.
O que se seguiu foi um show de desconhecimento. As pessoas parecem acreditar que existe método contraceptivo 100% efetivo. Claro que minha muito qualificada audiência no Plural é muito mais bem informada.
Mas no Reddit acabei tendo que recuperar o índice de eficácia por método. O que mais me assustou foi a crença de que a vasectomia e a laqueadura são 100% eficazes. Infelizmente não é o caso.
Caso você se veja em situação semelhante ou precise ajudar alguém a revisar o conteúdo da Educação Sexual, abaixo estão os Índices de Pearl (número de gestações para grupos de 100 mulheres por ano) por método contraceptivo.

Até a próxima semana!
Rosiane Correia de Freitas