Dados do Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) a apontam que, no Paraná, há mais de 80 comunidades rurais nas quais agricultores aguardam a criação de assentamentos. O levantamento foi apresentado pelos movimentos ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), em Curitiba, na há duas semanas.
Ao todo, a cifra representa 5 mil famílias de agricultores ligados ao MST, fora outros trabalhadores que não integram o movimento. Algumas das terras ocupadas, chamadas de acampamentos, existem há décadas.
As ocupações ocorrem em terras improdutivas, ou seja, aquelas que não cumprem sua função social, conforme a legislação brasileira. Contudo, entre a ocupação e a regularização, o processo pode se arrastar por anos. Alguns acampamentos têm mais de 30 anos e a delonga provoca situações de violência no campo.
Em Perobal, região de Umuarama, no noroeste do Paraná, a comunidade Benedito Gomes é um exemplo. A área ocupada pelos trabalhadores pertence ao próprio Incra e abriga 430 famílias, inclusive crianças já nascidas no local.
O espaço tem moradias consolidadas e estrutura, apesar da insegurança jurídica pela falta da reforma agrária.

Para além de episódios de ataques diretos aos trabalhadores, outra forma de violência no campo é a utilização de agrotóxicos. No último mês as 430 famílias que moram na comunidade Benedito Gomes foram impactadas por uma pulverização de veneno em uma propriedade rural próxima.
Segundo o MST, 20 pessoas apresentaram sintomas físicos, como tosse, irritação na garganta e dores de cabeça.
Agroecologia
O MST tem encampado um modelo de produção de alimentos baseados na agroecologia, ou seja, sem o uso de venenos que prejudicam tanto quem produz quanto quem consome.
Nas comunidades que já passaram pelo processo de reforma agrária, a agroecologia é uma opção viável e rentável de produção. O MST produz de forma cooperada feijão, arroz, milho e derivados, café, açúcar mascavo, melado, massas, leite e outros derivados em todo Paraná.
Ao todo, essas comunidades têm mais de 100 agroindústrias pelo estado, além de 25 cooperativas que atuam de forma integrada por meio da Central de Reforça Agrária (CCA).
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