Texto de Breno Gallina
Sob supervisão de Rogerio Galindo
Pela primeira vez em seus 65 anos de história, a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) entregou a um aluno trans a sua mais alta honraria acadêmica, o prêmio Marcelino Champagnat. O merecedor da honraria foi o aluno Tenoch Yakecan Duanetto de Sousa, de 22 anos de idade - um homem trans nascido em uma família com uma forte tradição acadêmica.
Tenoch, nascido na Argentina, ingressou na PUCPR em 2020, inicialmente pelo programa American Academy, que é uma graduação de duplo-diploma oferecida pela universidade em conjunto com a instituição americana Kent State University. Após finalizar esta etapa, ele entrou para o curso de Ciências Biológicas, onde teve um desempenho acadêmico consistentemente alto.
Durante a graduação, mesmo com notas altas, Tenoch não sabia se era elegível para o Prêmio Marcelino Champagnat, devido às regras estritas de transferência de curso para elegibilidade.
O estudante completou a graduação no primeiro semestre de 2025, e a premiação ocorreu no dia da formatura, em 28 de agosto. Previamente ao evento, os vencedores do prêmio são mantidos em sigilo, o que fez com que a premiação dos alunos fosse uma surpresa.
O prêmio Marcelino Champagnat tem o intuito de estimular uma melhoria no desempenho dos estudantes da PUCPR, sendo entregue para um estudante por curso da instituição.
A entrega da premiação leva em consideração a média aritmética ponderada das notas pela carga horária para determinar o melhor desempenho acadêmico, o que significa que a nota de matérias com cargas horárias mais extensas tem um impacto maior do que as de matérias mais curtas.
No caso de empates de média de nota, a coordenação do curso leva em consideração o método de ingresso dos estudantes. Caso os estudantes tenham entrado no curso de maneira idêntica (isto é, por meio do vestibular do curso ou pelo Exame Nacional do Ensino Médio), o aluno com o melhor desempenho no exame de ingresso recebe prioridade. Porém, caso tenham se matriculado por métodos diferentes, ambos os estudantes que estejam empatados recebem o prêmio.
Para serem elegíveis para o prêmio, os alunos precisam concluir o curso integralmente, sem terem reprovado e reoptado o curso, assim como não receber qualquer tipo de processo acadêmico ou judicial.
A mudança de curso apenas invalida a elegibilidade do estudante caso ele não tenha completado o curso original, o que significa que a transferência de Tenoch entre cursos não era um problema para receber o prêmio.
As recompensas do prêmio são uma bolsa integral de curso na instituição, uma medalha única do estudante com elementos identitários da universidade, assim como um diploma da premiação.
Após receber o prêmio, Tenoch está mestrando Filosofia na linha de ética e filosofia política por meio de uma bolsa Capes, e pretende utilizar a bolsa do Prêmio Marcelino Champagnat para um futuro doutorado.