A Polícia Militar de Santa Catarina confirmou a prisão de dois policiais militares durante a operação que levou à prisão de José Oswaldo Dell’Agnolo, de 43 anos, que ficou conhecido como "Lobo do Batel" por supostamente aplicar um esquema de pirâmide financeira que lesou cerca de 800 pessoas. Dell’Agnolo foi preso no sábado (6) em Itapema (SC), com R$ 5 milhões em dinheiro.
Os policiais teriam sido designados pra irem até um hotel em Itapema no sábado, para atenderem uma denúncia de quem um foragido estaria no local. Ele não prenderam Dell’Agnolo, que estava foragido desde agosto, e deixaram o hotel com aproximadamente R$ 500 mil, segundo o auto de prisão.
De acordo com a PM-SC, os policiais do 31º Batalhão de Polícia Militar "foram detidos suspeitos de terem cometido os crimes de concussão e prevaricação, após o atendimento de uma ocorrência". "A Justiça manteve a prisão preventiva dos militares, até elucidação dos fatos iniciais. Eles ficarão custodiados na sede do 31º Batalhão da Policia Militar, em Itapema", diz a nota da corporação.

José Oswaldo Dell’Agnolo é suspeito de utilizar a modalidade conhecida como pirâmide financeira para aplicar golpes que podem somar R$ 1 bilhão de prejuízos. Ele utilizava duas empresas, o Futuree Bank e a Theboss Soluções de Softwares Inteligentes. Pelo menos 30 processos tramitam no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR). As vítimas relataram que foram abordadas por Dell Agnolo, que prometia rendimentos mensais de 3% sobre o capital investido.
Na quinta-feira (4), a Polícia Federal (PF) cumpriu 11 mandados de busca e apreensão em Curitiba, na operação Mors Futuri. A 23ª Vara Federal de Curitiba bloqueou R$ 66 milhões, imóveis e veículos de suspeitos de ligação com o esquema.

Segundo a PF, Futuree Bank e Theboss não têm autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Banco Central do Brasil (BACEN) para atuar como instituições financeiras ou realizar a oferta pública de serviços de investimento. A PF informou ainda que os pagamentos foram interrompidos e houve ocultação de informações e patrimônio. O "Lobo do Batel" teria feito transferências de até R$ 10 milhões antes de fugir e era procurado pela Interpol, a polícia internacional.
O Plural tenta contato com a defesa de José Oswaldo Dell’Agnolo e fica à disposição no caso de alguma manifestação.