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Advogado é acusado de misoginia e vira alvo de denúncias na OAB

Negacionismo de advogado inclui desdenhar de crimes de feminicídio no Brasil

Advogado é acusado de misoginia e vira alvo de denúncias na OAB
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“Toda vez que uma mulher te contar que pediu uma medida protetiva, tenha certeza: ela não presta”.

“Lei Maria da Penha atende apenas mulheres criminosas”.

“Testemunhas de Jeová praticam alienação parental”.

“Nunca acredite na palavra da vítima”.

“Feminismo é a representação do fracasso”.

Estes são apenas alguns dos títulos das postagens feitas nas redes sociais pelo advogado Eduardo Camargo, de Curitiba. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) recebeu denúncias por conta do comportamento do profissional e está apurando o caso.

Eduardo Camargo também questiona estatísticas oficiais de casos de feminicídio e estupros nas postagens, embora o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que compila dados das secretarias estaduais de segurança, estime que mais de 1,3 mil mulheres foram vítimas de feminicídios no ano passado.

O mesmo levantamento aponta que, no Brasil, uma mulher é vítima de feminicídio a cada sete horas. Isso significa dizer que, ao menos três mulheres morrem por dia por questões de gênero.

Um grupo de advogadas e advogados formalizou a denúncia junto à OAB para que um processo administrativo disciplinar fosse instaurado. Isso aconteceu em 2019, mas até agora o caso não avançou.

O documento enviado à Ordem pede a suspensão de Camargo, e defende que “a não suspensão preventiva do advogado virá em prejuízo de muitas pessoas, diante da deslealdade com o age, não medindo seus atos para alcançar seu fim”.

Internautas também fizeram denúncias sobre o conteúdo e o próprio advogado marcou o perfil da OAB em diversos comentários, afirmando que já sofreu tentativas de intimidação.

Apoiadores do Eduardo Camargo, por sua vez, comentam as publicações chamando mulheres de “vagabundas” e desejando a morte de advogadas que criticam a postura do colega.

Dezenas de prints tanto das postagens quanto dos comentários misóginos integram o documento que já está com a OAB, que em 2020 chegou a suspender preventivamente o advogado. Por sua vez, Camargo assinou a um termo de ajustamento de conduta e publicou notas de retratação direcionadas à Ordem.

Apesar disso, o teor das publicações do advogado permanece o mesmo em 2022. Entre os últimos posts está um que diz: "Feminismo não tem compromisso com a verdade".

Entenda

De acordo com a professora Aline do Rocio Neves, mestra em Direitos Humanos, muita gente não compreende exatamente o que é o feminismo, e por isso há posicionamentos equivocados acerca da questão. "O feminismo é uma luta por direitos e igualdade de gênero", observa a especialista.

"Mas não tem como a gente falar de feminismo sem falar do patriarcado e da misoginia. O patriarcado coloca a mulher em um papel secundário. Essa dinâmica invisível faz com que haja uma separação entre o o público e o privado, que, com o avanço do capitalismo - que precisava de mão de obra e permitiu o trabalho da mulher por conveniência - as mulheres saem dos espaços privados e ocupam os espaços públicos. Isso gera uma espécie de queda de braço, porque alguns homens acham que estão perdendo seus direitos", analisa.

Já a misoginia é definida pelo ódio e o desprezo às mulheres. "Vale observar, por exemplo, que a legislação brasileira recentemente inseriu mecanismos de combate à violência contra as mulheres, por exemplo a Lei Maria da Penha".

Reprodução do perfil no Instagram

Repercussão

A seccional da Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná foi questionada pelo Plural acerca do comportamento do advogado e afirmou que "As denúncias contra o advogado estão sendo processadas na OAB Paraná e seguindo os trâmites previstos na legislação. Lembramos que os processos disciplinares na OAB são protegidos pelo sigilo".

Também citada nas publicações de Camargo, que criticou o Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride) e disse que as delegacias estimulam falsas denúncias de abuso sexual contra crianças, a Polícia Civil do Paraná emitiu uma nota.

O texto diz que "no Paraná, todos os registros de desaparecimento de crianças são investigados pelo Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (SICRIDE) da PCPR. A PCPR foi pioneira na implementação do Sicride, a primeira delegacia especializada em desaparecimento de crianças do País. A unidade é responsável por centralizar o registro de ocorrência envolvendo crianças desaparecidas no Paraná, promover a apuração dos fatos e prosseguir na instrução de inquéritos policiais já instaurados".

A nota continua informando que "nos últimos quatro anos, aproximadamente 900 casos de crianças desaparecidas foram registrados no Paraná, sendo que todos foram solucionados. Em 2022, a PCPR elucidou 100% dos casos – foram registrados 89 boletins de ocorrência e, em todos eles, as crianças foram localizadas. Atualmente, existem 26 crianças desaparecidas no Estado".

Respostas

O advogado Eduardo Camargo foi questionado acerca da conduta nas redes sociais. As respostas estão publicadas na íntegra:

1 - As denúncias acusam o senhor de ter uma conduta misógina. O senhor concorda com isso? 

Resposta: De forma alguma!  VALE DESTACAR QUE EM NENHUM MOMENTO ESSE ADVOGADO NEGA A EXISTÊNCIA DE VIOLÊNNCIA CONTRA MULHERES E BUSCA EXCLUSIVAMENTE A EQUIDADE DA JUSTIÇA ENTRE HOMENS,MULHERES E CRIANÇAS!

Primeiramente é preciso destacar que uma grande parte dos apoiadores do meu trabalho são mulheres! 

A maioria das pessoas que me contatam e me contratam são mulheres que estão sofrendo com falsas denúncias imputadas aos seus companheiros ou parentes próximos, assim como estão com dificuldades para conviver com seus filhos. 

Infelizmente alguns grupos radicais não suportam opiniões contrárias e perseguem qualquer pessoa ouse pensar diferente!  

ISSO É DITATORIAL! 

Perceba nas postagens que todas contêm informações devidamente acompanhadas de fontes oficiais, divulgações de documentos sem expor fotos, dados pessoais ou processuais e por fim, acompanha a opinião de um profissional do Direito com longos anos de experiência e atuação em centenas de processos pelo Brasil. 

Ademais, me reservo o direito de afirmar que jamais trabalhei para algum cliente que agrediu ou abusou de mulheres e crianças! Trabalho apenas para inocentes! 

Por fim, é evidente que este advogado vai de encontro com a ala mais radical das feministas, porém é preciso lembrar que o jornal DATAFOLHA divulgou em 2019 apenas 38% das mulheres se consideram feministas no Brasil e 56% rejeitam se associar ao feminismo! 

Diante disso, as pessoas que me acusam de ser misógino, refletem a opinião de uma MINORIA de mulheres! 

38% das mulheres brasileiras se consideram feministas - UOL Uma parcela de 38% das mulheres com 16 anos ou mais se considera feminista no Brasil, e 56% rejeitam se associar ao feminismo, com os demais 6% sem opinião sobre o assunto. datafolha.folha.uol.com.br 


2 - Em vários textos é empregado linguajar chulo e de baixo calão direcionado às mulheres por pessoas que acompanham seus posts. Por que não é feito nenhum tipo de filtro para evitar ataques às mulheres? 

R: Primeiramente vale destacar que os comentários ofensivos às mulheres atingem números muito pequenos!  

A maioria dos comentários são positivos, feitos por profissionais e vítimas que se identificam com as postagens. 

Também, os comentários são de responsabilidade exclusiva dos seguidores, não cabendo ao dono da página fazer nenhum filtro!  

Por fim, basta entrar em qualquer página do seguimento (sic) FEMINISTA, que serão vistos uma quantidade exorbitante de comentários ofensivos a todos os homens, onde são chamados de machistas, possíveis estupradores, agressores, etc. 

Para tanto, basta que os homens manifestem opiniões contrárias às postagens destas páginas! 

O tal filtro, deve ser feito pela legislação e pelo judiciário brasileiro!  

3 - O senhor faz várias críticas ao feminismo. Em uma das publicações alega que o feminismo não tem "compromisso com a verdade". Neste sentido, o que seria exatamente a verdade que o feminismo esconde? 

R: Tenho comigo que a pauta do feminismo hoje é irrigada com números falsos, dados históricos maculados e entendimentos deturpados. 

Entendo que o feminismo tem como pilares a VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES, DIREITO AO VOTO e MERCADO DE TRABALHO, os quais estão sendo divulgados de forma distorcida: 

Aline Reis

Aline Reis

Jornalista e especialista em Gestão da Comunicação, Assessoria e Marketing pela Universidade Positivo (UP). Mestra em Estudos de Linguagens pela UTFPR. Presidenta do Sindicato de Jornalistas Profissionais do Paraná.

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