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Câmara de Araucária anula sessão em que denúncia contra prefeito do PL foi acatada

Legislativo entendeu que denúncia contra Dr. Gustavo teria que ser lida na íntegra antes de ser votada. Prefeito autorizou pagamento para empresa de transporte antes da conclusão do processo

Câmara de Araucária anula sessão em que denúncia contra prefeito do PL foi acatada
A sessão desta terça-feira (24) da Câmara Municipal de Araucária. Foto: Reprodução
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A Câmara Municipal de Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, anulou nesta terça-feira (24) a sessão do dia 10 de fevereiro, em que foi aprovada a criação de uma comissão processante contra o prefeito Luiz Gustavo Botogoski (PL), conhecido como Dr. Gustavo. O prefeito pode enfrentar um processo de impeachment por ter autorizado o pagamento de cerca de R$ 31 milhões para uma empresa de transporte coletivo que moveu uma ação contra a Prefeitura, mesmo sem a sentença ter transitado em julgado.

Na sessão desta terça, vereador Ricardo Teixeira (Republicanos) argumentou que as 46 páginas da denúncia contra Dr. Gustavo deveriam ter sido lidas na sessão do dia 10, o que não ocorreu. "Todos os nossos atos são nulos, porque não fizemos a leitura na íntegra. Todas as denúncias têm que ser feitas na íntegra", afirmou o parlamentar.

Após os vereadores discutirem o tema, o presidente da Câmara, Pastor Castilhos (PL), suspendeu a sessão para consultar a assessoria jurídica da Casa. Em seguida, ele declarou nula a sessão do dia 10 de fevereiro e teve início a leitura da denúncia na íntegra, mas, dos 13 vereadores, só quatro permaneceram no plenário. A sessão foi suspensa por falta de quórum.

No dia 10, os vereadores chegaram a definir uma Comissão Processante para analisar a denúncia, que seria será composta pelos vereadores Ben Hur (União), Paulinho Cabeleireiro (União) e Nilson Vaz Torres (PL).

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Dr. Gustavo autorizou o pagamento de R$ 31 milhões para empresa de transporte, sem decisão judicial. Ele diz que nenhum valor foi pago e que acordo depende da Justiça

O caso

Ex-concessionária do transporte público de Araucária, a Viação Tindiquera Ltda alegou na Justiça que teve seus pagamentos reduzidos em 2017. Segundo a denúncia enviada à Câmara, mesmo sem a conclusão do processo, no dia 17 de dezembro de 2025 Botogoski encaminhou a homologação judicial um documento em que reconheceu unilateralmente uma dívida no valor de R$ 31.712.121,84. A denúncia foi .

De acordo com a denúncia feita por feita por Samuel Almeida da Silva, ex-secretário municipal de Planejamento e candidato a prefeito em 2024 pelo PT, não houve autorização do Legislativo nem previsão orçamentária para o cumprimento do acordo. Houve inserções genéricas no Plano Plurianual 2026-2029 e na LOA (Lei Orçamentária Anual) 2026.

O prefeito culpou Samuel pelo problema. "O ex-secretário Samuel Almeida da Silva ordenou uma despesa com a doença do ex-prefeito, aliás, não pagou uma despesa e causou um prejuízo muito grande ao erário. A mesma pessoa que tenta agora inverter os fatos, na tentativa de se defender", afirmou ele ao Plural no dia 10 de fevereiro. Segundo o prefeito, o acordo possibilitou uma redução de R$ 10 milhões no valor da dívida.

Em nota, a Prefeitura de Araucária afirmou que a dívida com a Viação Tindiquera é decorrente de um ato administrativo de 2017, que alterou unilateralmente a forma de remuneração da empresa e que o responsável pelo ato foi o denunciante, Samuel Almeida da Silva, quando era secretário de Planejamento.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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