A vereadora Camilla Gonda (PSB) solicitou à Câmara Municipal de Curitiba imagens do circuito interno que registraram uma confusão envolvendo o vereador Pier Petruzziello (PP) na tarde da última terça-feira (10). Gonda foi procurada por Petruzziello por ter assinado um pedido de instalação de uma CPI para investigar o vereador, acusado por um delator de ter recebido propina para facilitar contratos de uma empresa que atua na área de saúde com prefeituras da Região Metropolitana de Curitiba.
No início da tarde de terça, Petruzziello questionou por que Gonda assinou o pedido de CPI protocolado pela vereadora Professora Angela (PSOL) e perguntou se ela é formada em Direito. Um segurança da Câmara que acompanhou a situação, no Anexo II, teria chamado um colega para conter uma possível escalada nos ânimos.
Camilla Gonda foi procurada em seguida pelo presidente da Câmara, Tiko Kuzma (PSD). Em uma reunião com a presença de Kuzma e da vereadora Vanda de Assis (PT), representante da Procuradoria da Mulher da Câmara, Petruzziello teria pedido desculpas à parlamentar.

Em seguida, a equipe jurídica da vereadora formalizou um pedido de acesso às imagens captadas pelas câmeras, via Procuradoria da Mulher. Uma Instrução Normativa da Câmara determina que “os equipamentos do Circuito Fechado de Televisão – CFTV devem permitir a captação das imagens de todo o entorno dos prédios da Câmara e das áreas comuns internas com boa qualidade de definição e seu armazenamento pelo período mínimo de 30 (trinta) dias, contados da captação”.

O Plural tentou contato com Pier Petruzziello no início da noite desta quarta-feira (11), mas não conseguiu localizá-lo. O Plural fica aberto a uma eventual manifestação do vereador.
Defesa
Pier Petruzziello se defendeu da acusação na sessão de segunda-feira (9) da Câmara. Segundo matéria veiculada pela RPC TV no dia 3 deste mês, um delator afirmou ao Ministério Público do Paraná que o vereador recebeu propina para facilitar a contratação de uma empresa por prefeituras da Região Metropolitana.
“Depois de 13 anos de vida pública, é a primeira vez na minha vida que eu subo nesta tribuna para me defender. E isto é muito triste: quando você tem que se defender de algo que você não fez”, disse Petruzziello em pronunciamento reproduzido pelo site da Câmara de Curitiba.
“A origem deste problema todo vocês sabem: nasce efetivamente na briga entre dois sócios. Um criminoso confesso vai até a Polícia Civil, faz um depoimento sem a promotora e, na sequência, faz um novo depoimento com a presença de uma promotora do Ministério Público”, afirmou o parlamentar.

O vereador destacou que não responde a nenhum processo. “Não há uma prova contra mim”, afirmou. “Não respondo a nenhum processo, nem cível e nem criminal. O MP, depois do depoimento do criminoso confesso, dado em 28 de setembro de 2021, disse que [citando trecho do documento do órgão] ‘tais elementos não foram suficientes para demonstrar a efetiva ocorrência de crime eventualmente praticado pelas partes envolvidas’. Esse é o Ministério Público do Paraná, a quem tenho profundo respeito”,
Petruzziello disse que sabia desde fevereiro que a matéria seria levada ao ar e que seus advogados levaram documentos à emissora.
“[Foram] 14 minutos de uma matéria tentando acabar com a minha honra. E eu não estou preocupado com a minha carreira política. Estou preocupado com a minha honra. Estou preocupado com aquilo que acredito, com aquilo que eu sou e com a verdade. Não vão me destruir. Eu não vou deixar”.
Pier Petruzziello, vereador