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CMEIs limitam adaptação de novos alunos

Crianças recém chegadas as unidades de educação infantil precisam ficar período todo desde o primeiro dia. Secretaria diz que processo depende do aluno

CMEIs limitam adaptação de novos alunos
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Crianças que estão tendo a primeira experiência nos Centros Municipais de Educação Infantil de Curitiba este ano não estão podendo fazer a adaptação gradativa a rotina da escola. A situação foi relatada ao Plural por inúmeras mães de alunos de CMEIS na região oeste da cidade.

Foi o caso de uma mãe de duas meninas que matriculou a mais nova, de 2 anos, em um CMEI este ano. Ela não imaginou que o tratamento dado à caçula seria diferente do da irmã. Em 2021, quando a mais velha, então com 4 anos, voltou para o ensino presencial depois da quarentena da pandemia, o atendimento foi "sensacional". "Tive muito apoio da diretora, espaço de troca", relata. Este ano, porém, já no primeiro dia a caçula teve que ficar o dia inteiro.

Nos primeiros dias a menina ficou bem, mas eventualmente a mãe foi chamada na escola porque a criança estava com o nariz escorrendo. "Ela não estava gripada ou resfriada. Acho que foi de chorar mesmo".

Uma outra mãe teve experiência semelhante em outro CMEI na região do Portão. Na volta às aulas este ano ela foi surpreendida ao saber que uma das crianças, de 2 anos, teria que ficar o tempo integral já no primeiro dia. "Achei melhor desistir da vaga", relata. A criança foi transferida para uma escola particular, onde o mais velho já estava estudando. A mãe, que também tem um bebê pequeno em casa, achou que seria melhor para a família.

Em um terceiro Cmei, no Santa Quitéria, a coordenação pedagógica informou a uma mãe que só as crianças que choram demais passam pela adaptação. As demais ficam já no período normal desde o primeiro dia.

A experiência foi diferente para uma mãe cujo filho de 1 ano e 3 meses está matriculado em uma das escolas conveniadas da prefeitura (escolas particulares que são pagas para disponibilizar vagas para alunos do sistema municipal). A criança fez adaptação gradual desde a primeira semana, no início de fevereiro. "No primeiro dia ele ficou até 10h30, já no terceiro dia ficou até as 17h", conta.

O fim da adaptação como regra nos CMEIs, o Plural apurou, se deve a uma mudança de política instituída em 2018, que estabeleceu a troca do termo "adaptação" por "acolhimento". Em documento interno da Secretaria Municipal de Educação (SME) de Curitiba, as escolas foram orientadas a não usar o termo "adaptação" porque nesse caso "a criança assume um papel passivo, precisa realizar um esforço para ficar bem num espaço coletivo".

O mesmo documento diz que o "acolhimento", por outro lado, "diz respeito à construção de vínculos entre todos os envolvidos no processo de ingresso da criança: a própria criança, a família e os profissionais".

Para além do linguajar técnico, na prática o que acontece é que a mães e pais esperam que a entrada das crianças na educação infantil seja gradual, com um período de adaptação durante o qual ela não precisa ficar o período todo sem os pais. "Mas de alguma forma tem alguns protocolos que vem de cima pra baixo", desabafa uma das mães ouvidas pelo Plural.

As mães pediram para não serem identificadas para não constranger as profissionais dos CMEIs.

Segundo a SME, "as unidades educacionais da rede municipal de Curitiba são orientadas a fazer a adaptação/acolhimento conforme a necessidade de cada criança. Não há um protocolo fixo com horários de entrada e saída durante esse processo". No caso de crianças que apresentam dificuldade nesse processo - "chorem, não queiram comer sem a presença da mãe ou se isolem, entre outros exemplos"- a indicação é que a equipe realize uma adaptação da rotina para ela. "Nesses casos, as equipes diretiva e pedagógica e a família conversam sobre a melhor forma de atender a criança", indica.

A secretaria informa ainda que os pais que não se sentirem atendidos nesse processo podem procurar a direção da própria unidade, o Núcleo Regional da Educação ou o Departamento de Educação Infantil da SME.

Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

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