O governador Ratinho Júnior (PSD) voltou a defender nesta sexta-feira (27 de fevereiro) a privatização da Celepar e disse que a companhia paranaense de tecnologia da informação poderá se tornar um "problema para o bolso do paranaense". A privatização foi paralisada por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o leilão marcado para o dia 17 de março na Bolsa de Valores de São Paulo foi suspenso pelo governo do Paraná.
Os números de 2025 ainda não foram divulgados, mas o balanço patrimonial de 2024 mostrava uma empresa longe de se tornar um "problema para o bolso": naquele ano, a Celepar teve um lucro líquido de R$ 338.988.220, um crescimento de 300% em relação a 2023, quando foi registrado um lucro de R$ 84.462.650.
Isso permitiu à companhia distribuir R$ 80.509.703 em dividendos e juros sobre capital próprio aos acionistas – entre eles o Estado do Paraná como principal beneficiário.
Os valores dos contratos também mostram uma empresa com perspectivas bem diferentes das dos Correios, que Ratinho Júnior usou como exemplo para defender a privatização. Só com a administração estadual, a Celepar tinha contratos no valor de R$ 2,2 bilhões no ano passado. A oposição estima que o valor pode chegar a R$ 4 bilhões – já o lance mínimo para a privatização foi definido em R$ 1,3 bilhão.

Ratinho Júnior comentou o processo de privatização a Celepar após a cerimônia em que assinou a ordem de serviço para a construção do novo Mercado de Flores da Centrais Estaduais de Abastecimento (Ceasa) em Curitiba.
"O que eu não posso, como governador, é deixar a Celepar virar os Correios, que lamentavelmente, está quebrado. Eu estou precavendo, eu estou prevendo ou evitando que a Celepar vire um grande problema para o bolso do paranaense. Nós temos que ter empresas que possam prestar um bom serviço para o Estado, sendo pública ou privada", disse Ratinho Júnior em entrevista nesta sexta-feira.
O governador estima que o pleno STF analise no início de março a liminar concedida por Flávio Dino no âmbito da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), movida pelo PT e pelo PSOL contra a lei que autoriza a privatização.
"Ele (Flávio Dino) fez uma decisão para que a gente prestasse alguns esclarecimentos, o que para nós é muito tranquilo, porque os dados já estão todos levantados. Estamos fazendo esses esclarecimentos e isso vai para o plenário, que a partir do dia 6, se não me engano, vai ser discutido entre todos os ministros".
Segundo Ratinho Júnior, as ferramentas e soluções da Celepar "estão obsoletas". "É importante a gente registrar que hoje o Tribunal de Justiça do Paraná, o Tribunal de Contas do Estado, boa parte do governo do Estado já não usa mais as ferramentas da Celepar, porque elas já estão obsoletas".
Primeiro lugar em rentabilidade
Segundo funcionários da Celepar, a fala de Ratinho Júnior sobre a suposta obsolescência da companhia não condiz com a realidade. A empresa é a única empresa estadual da área tecnologia com data center Tier 3, com alto nível de disponibilidade, redundância e segurança operacional – entre órgãos estatais, somente Banco do Brasil, Dataprev, Serpro e Exército possuem esse tipo de data center, adquirido antes do governo de Ratinho.
Em dezembro, a própria Celepar informou que a empresa havia conquistado o primeiro lugar em rentabilidade no Anuário Informática Hoje 2025, com um retorno sobre vendas de 68,53%. Além disso, a companhia subiu 47 posições no ranking das 500 maiores empresas do Sul do Brasil, chegando à 303ª colocação.
“O governador demonstra desconhecimento sobre a importância estratégica da Celepar ao classificá-la como obsoleta. Estamos falando de uma das infraestruturas de tecnologia mais robustas do país, com certificações que poucas estatais possuem”, afirma o advogado Paulo Falcão, representante do Comitê de Trabalhadores contra a Privatização. "Não há justificativa econômica consistente para privatizar uma companhia lucrativa, estratégica e que distribui dividendos ao próprio Estado. O risco é transformar uma fonte de receita pública em lucro privado”

Leilão suspenso
No dia 23 de fevereiro, um dia depois da decisão de Flávio Dino, a Superintendência Geral de Governança de Serviços e Dados (SGSD), órgão ligado à Casa Civil do governo do Paraná, suspendeu o leilão de privatização da Celepar, que estava marcado para o dia 17 de março na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo.
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