Em depoimento na CPI do Crime Organizado, no Senado, na última quarta-feira (18), o gestor de fundos Vladimir Timerman disse que o empresário baiano Nelson Tanure, que comprou a Copel Telecom em 2020, é o verdadeiro dono do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. Segundo Timerman, o fundador do Master, Daniel Vorcaro, que está preso, era um "pau-mandado".
“O senhor Nelson Tanure é uma das cabeças, eu acho que é o mais alto da hierarquia. O meu sentimento é que (Vorcaro) é uma pessoa que realmente não sabia nem o que estava acontecendo. Foi colocada para ser a cara [do banco], para fazer as conexões políticas”, afirmou Timerman, gestor da Esh Capital.
Por meio do fundo Bordeaux Participações, Tanue comprou a Copel Telecom por R$ 2,39 bilhões em novembro de 2020, em leilão na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo. A empresa teve o nome mudado para Ligga Telecom.
Segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), quando foi vendida a Copel Telecom tinha participação de 22% no mercado de fibra ótica no país e de 12% no mercado geral de banda larga fixa. Entre 2010 e 2019, a Copel Telecom investiu cerca de R$ 1,7 bilhão e acumulou um lucro líquido de R$ 510,6 milhões.
Por meio do Bordeaux, Tanure também comprou o Serviço de Comunicações Telefônicas de Londrina (Sercomtel), por R$ 130 milhões.
Em nota, Nelson Tanure negou qualquer envolvimento com o Master e disse que “nunca foi sócio, controlador ou beneficiário, direto ou indireto, do Banco Master”.
Em janeiro, o empresário foi um dos alvos da segunda fase da operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), que investiga as irregularidades cometidas pelo Banco Master. Tanure foi abordado por agentes da PF no Aeroporto do Galeão, no Rio, quando aguardava o embarque para Curitiba, e teve o celular apreendido.
Tanure também adquiriu a Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia), de São Paulo, em abril de 2024. O fundo Phoenix, também ligado ao empresário, pagou R$ 1,04 bilhão pela empresa, na primeira privatização do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos).