Camila Dias estava acompanhada do namorado Jean Sulin neste domingo (16), em Curitiba, no biarticulado Santa Cândida-Capão Raso quando ambos sofreram ataques e ofensas de uma dupla. De acordo com Camila, o crime aconteceu porque ela é uma mulher trans. A Polícia Civil (PC) investiga o caso.
Vagner do Prado, de 41 anos, e um adolescente de 17 anos tentaram tirar as roupas de Jean, que é cisgênero, dentro do biarticulado, para checar se ele “era homem”.
Oziel Branges dos Santos, de 40 anos, morador de Colombo e passageiro do ônibus, embora não conhecesse o casal, tentou intervir contra o ataque. Ele foi esfaqueado diversas vezes por um dos suspeitos, enquanto era segurado pelo outro. Os criminosos desembarcaram na estação Maria Clara, após assassinar Santos. Os bombeiros chegaram a ser acionados, mas a vítima morreu no ônibus.
A Urbanização de Curitiba (Urbs) lamentou o caso por meio de nota e informou que as imagens registradas pelas câmeras do ônibus serão disponibilizadas à Polícia Civil (PC), que faz diligências para apurar o caso.
Os suspeitos foram detidos logo na sequência por equipes da Polícia Militar (PM). Uma faca, possivelmente utilizada no crime, foi apreendida com o adolescente.
Medo
A dupla de criminosos já havia cruzado com o casal no terminal do Pinheirinho, quando as vítimas seguiam no sentido centro. Neste momento eles disseram as primeiras ofensas contra o casal. “Quando a gente estava voltando do terminal do Cabral para o Pinheirinho eles encontraram a gente novamente e voltaram a fazer ameaças”, explicou Camila ao Plural.

Depois do crime, Camila relata que está com medo de usar o transporte público. “Ainda mais que vou trabalhar e pego esse ônibus todo dia”, lamenta.
O grupo Dignidade afirmou que divulgará uma nota acerca do caso.
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Pelas redes sociais a vereadora Giorgia Prates (PT) afirmou que “há quem diga que lgbtifobia é mimimi, taí um triste exemplo do que o preconceito é capaz de fazer”. A vereadora Maria Leticia (PV) cobrou punição contra os autores do ataque e do homicídio. “Que medidas sejam tomadas para que isso nunca mais aconteça”, disse.
Na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) o crime foi lembrado durante audiência pública referente ao Dia Internacional de Enfrentamento à LGBTIfobia, comemorada justamente nesta segunda-feira, 17 de maio.
Investigação
A Polícia Civil instaurará inquérito para apurar as circunstâncias do crime. Prado deve passar por audiência de custódia nesta terça-feira (18). A reportagem não conseguiu identificar a defesa do acusado.