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Em debate, Moro é chamado de traidor e Alvaro questionado por busca de quinto mandato

Debate na Band tem críticas aos dois candidatos que lideram pesquisas, mas Moro e Alvaro evitam confronto direto

Em debate, Moro é chamado de traidor e Alvaro questionado por busca de quinto mandato
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O senador Alvaro Dias (Podemos) e o ex-juiz Sergio Moro (União) foram os principais alvos dos oponentes no debate realizado pela Band neste sábado (17) entre os candidatos ao Senado. Curiosamente, no entanto, os dois, que já estiveram no mesmo partido e hoje são os líderes na corrida pela vaga, evitaram o confronto direto.

Sergio Moro começou o debate sendo acusado por dois candidatos da esquerda de traidor. Laerson Matias, do PSol, e depois Desiree Salgado, do PDT, perguntaram sobre as múltiplas traições que o ex-juiz cometeu ao longo de sua breve carreira política. Traiu o presidente Jair Bolsonaro (PL), traiu o Podemos e depois também o próprio ex-=correligionário Alvaro Dias. Laerson acusou-o ainda de trair o Paraná, ao tentar uma candidatura por São Paulo. "Como o Paraná vai acreditar em alguma coisa que o senhor diga?", questionou Desiree, que foi colega de Moro como professora de Direito da UFPR.

Moro evitou respostas diretas sobre cada uma das situações mencionadas. Em praticamente todas as falas que teve durante as duas horas de debate, preferiu se remeter à Lava Jato, repetindo sempre que seu trabalho como juiz "quebrou a impunidade da grande corrupção". Outra frase repetida à exaustão pelo ex-juiz foi a de que no Senado será uma "voz forte e independente".

Mais adiante, Moro foi acusado de traidor também por Paulo Martins (PL), candidato de Bolsonaro no Paraná. Deputado federal, Martins disse ser inadmissível que Moro, ex-integrante do Judiciário, se cale diante daquilo que classificou como abusos do ministro Alexandre de Moraes e do Supremo Tribunal Federal em inquéritos como o das Fake News e o dos Atos Antidemocráticos.

Moro respondeu dizendo que não sabia por que Paulo Martins, terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto, o atacava, uma vez que os dois tinham um "inimigo em comum", o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Também fugiu ao questionamento e evitou criticar o Supremo. Disse apenas que, caso vá ao Senado, será firme no trabalho de sabatinar e avalizar futuros indicados para o STF.

Alvaro Dias, por outro lado, foi questionado por sua já longa permanência no Senado. Vários dos candidatos atacaram o senador do Podemos, líder nas pesquisas de intenção de voto, por dizer que tem propostas para o futuro, afirmando que em seus quatro mandatos como senador já poderia ter realizado o que está prometendo. "O Senado não é lugar para aposentadoria", disse Desiree Salgado.

O senador respondeu às críticas dizendo que o Senado pode ser renovado, mas que a renovação deveria ocorrer "com a banda podre". Afirmou também que o Senado, como casa revisora, é lugar para gente com grande experiência. Em outro momento, disse que ninguém percorreu o Paraná como ele, sendo rebatido por Paulo Martins: "Imagino que o senhor tenha andado muito pelo estado mesmo, sendo parlamentar desde 1968".

Aline Sleutjes (Pros) também disse que é necessária a presença do senador nos municípios, insinuando que o atual senador só se preocupa com Brasília. Alvaro retrucou dizendo que se o senador passar muito tempo nas cidades, o povo deveria mandar que ele fosse trabalhar em Brasília, que é onde o parlamentar deve estar.

No debate, Moro se mostrou de longe quem estava em situação mais desconfortável. Atacado por sua atuação na Lava Jato, não sabia como questionar Alvaro Dias sem ter de enfrentá-lo pessoalmente. Numa questão desajeitada, quis saber de Rosane Ferreira por que o PSB, que nacionalmente está com Lula, no Paraná apoia Alvaro Dias. A candidata do PV respondeu o óbvio, que a pergunta não cabia a ela, que não é nem do PT nem do PSB.

O enfrentamento mais duro veio do candidato do PSol, que frequentemente começava a pergunta calmo e se exaltava logo a seguir, chegando a pedir desculpas por isso. Laerson acusou Moro de juiz seletivo e incompetente e fez uma defesa do ex-presidente Lula.

Alvaro, por outro lado, respondeu aos questionamentos tentando sempre botar panos quentes e fazer o papel de quem está ganhando a corrida, sem aumentar a temperatura do debate. Fazia perguntas para candidatos que sabia que seriam amistosos na resposta, como Orlando Pessuti (MDB) e no final chamou seus críticos de "encantadores de serpentes", que na hora da eleição sabem fazer promessas mas depois "são só decepção".

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