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Em romance de estreia, publicitário curitibano fala de política, racismo e futebol

"Ginga", primeiro livro de Jairo Rodrigues, conta história de garoto negro que disputa a Presidência do Brasil

Em romance de estreia, publicitário curitibano fala de política, racismo e futebol
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Um garoto diz para o irmão mais novo que, um dia, pretende ser o primeiro presidente negro do Brasil. No mesmo dia, porém, acaba morto pela polícia, com a carteirinha de estudante na mão. A partir daí, quem segue em busca do sonho de entrar para a política é o caçula.

Tudo isso está logo nas primeiras páginas de "Ginga", romance de estreia do publicitário Jairo Rodrigues, lançado neste ano pela editora Giostri. E fica evidente desde o começo que os temas do livro não poderiam ser mais atuais: discussão sobre racismo, o debate político e a violência policial.

Jairo teve a ideia para o romance em 2022, ano da última eleição presidencial, e lendo a história não é difícil entender o porquê. Noel, o caçula que sobrevive ao assassinato do irmão e acaba entrando para a política, se elege deputado federal e acaba concorrendo à Presidência da República. De origem humilde, ele representa uma espécie de salvação possível na disputa do segundo turno, travada contra um policial militar truculento e ditatorial.

No entanto, à beira da votação, Noel é vítima de um atentado. Em pleno Maracanã, um grupo de simpatizantes do seu opositor arma um ataque com um drone que tenta assassinar o deputado.

O romance em nenhum momento esconde que o coronel-presidenciável é uma caricatura de Jair Bolsonaro. Grosseiro, fanfarrão, ameaçador, o militar é um hipócrita que defende a família ao mesmo tempo que tem uma amante. Politicamente, os ideais dele também são os mesmos do capitão da vida real.

Noel chegou à política por outra via. Desde cedo, mostrava talento para o futebol, e acabou sendo recrutado pelo Vasco da Gama. Um parêntesis: a escolha do clube não é aleatória. Por um lado, o Vasco tem em seu histórico o mérito de ser um dos primeiros times a aceitar jogadores negros no Brasil; por outro, é o clube de coração do romancista.

Depois de uma carreira bem-sucedida no futebol, Noel (curiosamente um descendente de negros e russos) acaba se lançando na vida pública. Logo no início do livro, percebe-se que ele é um sujeito contrário à violência gratuita. Ao se aproximar do estádio e ver torcedores de seu time ameaçando um flamenguista, sai em defesa do agredido.

A história é contada em capítulos curtos e que variam entre os vários períodos diferentes cobertos pela trama. Não há uma linha reta, mas sim um quebra-cabeças que pula da infância de Leon e Noel para o momento em que o país está à beira da eleição presidencial, com paradas em várias partes diferentes do caminho.

Jairo se sai bem nessa tarefa notoriamente difícil, de narrar uma história não-linear sem se perder e conseguindo que o leitor o acompanhe sem ficar confuso.

A trama é acelerada e não há página em que a história não traga uma novidade. Em 30 páginas, a impressão é de que você já passou por um livro inteiro, mas na verdade ainda há muito a contar. Para quem gosta de histórias cheias de reviravoltas, tensão e discussões sobre temas sociais, é um prato cheio.

Serviço
"Ginga", romance de Jairo Rodrigues
Editora Giostri, 306 páginas, R$ 79,90
Para comprar, clique aqui

Rogerio Galindo

Rogerio Galindo

Jornalista, um dos fundadores do Plural.

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