A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) foi à Justiça contra um vídeo do ex-procurador Deltan Dallagnol (NOVO), em que ele diz que Gleisi precisa "lavar a boca" antes de falar de seu amigo, o subprocurador-geral da República Januário Paludo. Gleisi alega que Deltan, que assim como ela deve disputar uma vaga no Senado em outubro, divulgou denúncias contra ela que já foram analisadas e das quais ela já foi absolvida.
No vídeo, Deltan rebatia acusações de Gleisi contra Januário Paludo, seu colega de força-tarefa na Lava Jato, que foi promovido recentemente pelo Ministério Público Federal. O procurador disse que, ao contrário do colega, que apresenta como um homem que se especializou em combater a corrupção, Gleisi teria dedicado a vida ao PT, um partido que ele diz ser corrupto.
Na tentativa de defender o colega e de classificar Gleisi como alguém pouco confiável, Deltan cita várias investigações e denúncias que fariam parte do "currículo" da deputada. A defesa de Gleisi, porém, reclama que Deltan "se esquece" de dizer que Gleisi foi absolvida de todas as denúncias e que inclusive o Supremo Tribunal Federal (STF) a livrou das acusações por unanimidade.
O vídeo, segundo os advogados de Gleisi, "utiliza tática de desinformação de segunda geração, consistente no resgate de notícias antigas (anacronismo) sobre investigações e denúncias da Operação Lava Jato que já foram arquivadas ou resultaram em absolvição pelo Supremo Tribunal Federal (STF)". Gleisi alega também que Deltan "busca induzir o eleitor ao erro ao omitir o desfecho favorável dessas ações judiciais, vinculando sua imagem a escândalos recentes (INSS e Banco Master) sem qualquer lastro fático".
Responsável pelo caso, a juíza Adriana de Lourdes Simette negou o pedido de liminar de Gleisi para que o vídeo de Deltan fosse retirado imediatamente do ar. A juíza deu a Deltan dois dias para se defender das acusações e disse que depois decidirá se houve ou não crime eleitoral da parte do procurador.