O ministro Gilmar Mendes, do STF, que apura se houve o crime de rachadinha no gabinete da deputada federal Aline Sleutjes (PSL-PR), obteve acesso aos dados bancários da deputada. As informações decorrem de uma quebra de sigilo bancário feita pela investigação sobre a participação da deputada em outro inquérito da Corte, o dos atos antidemocráticos. Na semana passada, o ministro Alexandre de Moraes, responsável pelo pedido original, autorizou o compartilhamento de dados com a investigação de Gilmar Mendes.
Eleita em 2018 na febre provocada pela figura de Jair Bolsonaro, a deputada teria recebido entre 2019 e 2020 pelo menos R$ 178 mil em transferências e depósitos feitos por assessores, motivo pelo qual a PF sugeriu a apuração dos fatos.
A movimentação de maior valor foi de seu chefe de gabinete. Ele chegou a transferir para as contas da parlamentar, segundo apontam as investigações, R$ 68.037,95 em repasses que Sleutjes disse se tratar de pagamento de despesas reembolsáveis pelo Tesouro Nacional. A PF também identificou depósitos feitos em nome do mesmo servidor, justificados pela deputada como pagamento de um empréstimo no valor de R$ 50 mil “devido a necessidades pessoais decorrentes de dificuldades financeiras” do servidor.
A investigação apontou ainda como suspeitos dois depósitos na conta da deputada, um de R$ 20 mil e outro de R$ 40 mil, ambos feitos em outubro de 2019 por dois funcionários diferentes de seu gabinete. Sleutjes afirmou não se recordar das transações. Apesar de o trecho da decisão de Moraes não citar o valor, a paranaense também teria recebido dinheiro da irmã de seu chefe de gabinete, proprietária de uma malharia de Curitiba. De acordo com o respondido em depoimento, o montante seria pelo pagamento de camisetas confeccionadas para os eventos do Aliança pelo Brasil, organização que tinha pretensão de se transformar em partido político para agregar à sigla o presidente Bolsonaro.