Com as eleições de 2026 já no horizonte, a deputada federal Carol Dartora (PT-PR) quer que o eleitor esteja atento ao que estará em jogo nas urnas.
Em entrevista à repórter Thais Almeida, a parlamentar (primeira mulher negra eleita pelo Paraná para o Congresso) fala de suas críticas ao modelo econômico atual e define a reeleição de lideranças negras como uma questão central para a democracia brasileira.
Confira:
[Thais Almeida]: Deputada, tivemos acesso ao seu manifesto onde a senhora classifica 2026 como uma "encruzilhada histórica". O que exatamente está em jogo nesse próximo ciclo na sua visão?
Carol Dartora: O país será chamado a decidir quem governa, para quem governa e com quais valores. Reeleger uma mulher negra não é símbolo, não é favor, não é concessão. É uma decisão política profunda sobre quem tem o direito de existir plenamente, decidir e governar no Brasil. O futuro está em disputa e essa disputa passa pela nossa presença na política institucional.
[Coluna]: No documento, a senhora faz uma crítica severa ao neoliberalismo, citando que ele atua no "campo da imaginação". Como isso afeta a política na prática?
Carol Dartora: O neoliberalismo produz a sensação de que o sofrimento social é inevitável, transformando a desigualdade em normalidade. Colocar mulheres negras no centro da política pública não exclui ninguém; ao contrário, reorganiza prioridades e amplia direitos. O movimento negro é educador e capaz de produzir novos projetos de sociedade.
[Coluna]: A senhora menciona o "pacto da branquitude" como uma barreira. De que forma isso reflete na violência política de gênero e raça?
Carol Dartora: O racismo e o sexismo são estruturantes no sistema brasileiro. O pacto da branquitude é um acordo silencioso de autoproteção de privilégios que reage sempre que eles são questionados. Quanto mais rompemos o silêncio, mais o sistema tenta nos empurrar de volta à margem. Por isso, a violência política que sofremos é, na verdade, um ataque direto à democracia.
[Coluna]: O que a senhora espera que seja a "virada histórica" proposta por esse movimento?
Carol Dartora: É o momento em que sujeitos historicamente excluídos deixam de ser uma exceção tolerada e passam a alterar as estruturas de poder. Não basta ocupar espaços; é preciso transformá-los. Assinar este manifesto é escolher o "bem viver" como projeto de futuro e assumir a própria história.