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MP denuncia por corrupção servidora do DER e dono da empresa Dalba

Esquema envolveria propina para que não houvesse fiscalização em obra superfaturada, diz MP

Por mattia
MP denuncia por corrupção servidora do DER e dono da empresa Dalba
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O Ministério Publico do Paraná apresentou nesta quinta-feira (18) uma denuncia contra uma servidora DER por corrupção e lavagem de dinheiro. É o primeiro desdobramento da operação Fora de Área, deflagrada em 27 de julho de 2022, que investigou um suposto esquema de corrupção que envolve vários contratos do DER com a empresa Dalba Engenharia de Guarapuava. Luciano Daleffe, dono da empreiteira, também foi denunciado pelo MP.

De acordo com a investigação, Daleffe teria feito 63 pagamentos de sua própria conta para uma empresa de fachada, de propriedade do marido da funcionária do DER. Entre janeiro de 2017 e dezembro 2018, o casal teria ganho R$ 1,019 milhão por conta dessas transferências. Em seguida os valores eram repassados para a conta da empresa gerida pelo marido da servidora. Esse dinheiro viria de um contrato do valor de R$ 9 milhões assinado pelo DER com a Dalba em 2012, que previa um serviço de roçada na malha rodoviária estadual da superintendência dos Campos Gerais em uma extensão de 277 quilômetros.

Tanto Luciano Daleffe quanto a servidora do DER haviam sido presos na primeira fase da operação Fora de Área, mas em 29 de julho de 2022 o proprietário da empresa Dalba foi solto pelo Tribunal de Justiça do Paraná porque os fatos investigados foram registrados entre 2017 e 2020, e portanto não justificavam a prisão. A juíza de Guarapuava Paola Gonçalves Mancini se manifestou contra o habeas corpus concedido pelo TJ-PR afirmando que ainda existem contratos vigentes entre DER e Dalba, como também o Plural demonstrou em uma reportagem.

A historia do esquema

O DER é a autarquia que administra as rodovias no Paraná. De acordo com a delação premiada de seu ex-diretor Nelson Leal Junior, várias empresas teriam participado do financiamento da campanha eleitoral de 2010 do ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB) em troca de contratos superfaturados do DER. Entre essas empresas estaria também a Dalba Engenharia, atuante no mercado paranaense de serviços de conservação e recuperação dos pavimentos das rodovias. Em 2012, por recomendação de Pepe Richa (irmão do então governador do Paraná), foi nomeado diretor do DER Nelson Leal, posteriormente preso nos desdobramentos da operação Lava Jato.

Ainda em 2012, a funcionária do DER, Lucileia Galdini Moreno, teria fiscalizado um contrato que a empresa Dalba havia firmado com o DER em mérito de serviços roçada. Sua tarefa era verificar a efetiva realização dos serviços nas margens das rodovias e em seguida apresentar um relatório mensal para atualizar o DER sobre o andamento da obra para liberar o pagamento à Dalba. De acordo com as investigações do Ministério Público, porém, Lucileia Moreno não só teria embolsado propina como nem teria ido ao local para cumprir seu papel de fiscalização.

Tanto Lucileia Moreno quanto o proprietário da Dalba, Luciano Daleffe, foram denunciados ​​por corrupção e lavagem de dinheiro enquanto a juíza Paola Gonçalves Mancini de Lima pediu o arquivamento dos autos para Ademir Rumin Moreno, marido da funcionária do DER e proprietário da empresa onde os subornos foram pagos. Esta decisão foi contestada pelo MP, que o denunciou também.

As reações dos citados foram diferentes. O DER decidiu afastar a servidora Lucileia Moreno. Já as defesas de Lucileia Moreno e de Luciano Daleffe negaram as alegações e revelaram que vão se manifestar só nos autos do processo.

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