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Professora Angela reúne apoiadores e lideranças em defesa do mandato

Vereadora enfrenta processo de cassação por ter promovido audiência sobre saúde e política de drogas na Câmara de Curitiba

Professora Angela reúne apoiadores e lideranças em defesa do mandato
Primeira vereadora eleita pelo PSOL em Curitiba tenta manter o mandato / Foto: Tami Taketani/Plural
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Apoiadores e lideranças locais e nacionais participaram de um ato na noite desta segunda-feira (13) em defesa do mandato da vereadora Professora Angela (PSOL), que enfrenta um processo que pode levar à cassação na Câmara Municipal de Curitiba. A parlamentar é alvo de uma representação por ter promovido uma palestra sobre saúde e política de drogas no dia 5 de agosto.

O ato estava marcado para a sede da Fetraconspar (Federação dos Trabalhadores nas Industrias da Construção e do Mobiliário), mas ganhou as ruas e terminou em um caminhão de som na frente do prédio histórico da UFPR, na Praça Santos Andrade. Estiveram presentes os deputados federais Samia Bomfim (PSOL-SP), Glauber Braga (PSOL-RJ) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS), o ativista Jones Manoel e as vereadoras Camilla Gonda (PSB), Giorgia Prates (PT) e Vanda de Assis (PT); e os deputados estaduais Ana Julia Ribeiro (PT) e Renato Freitas (PT).

“Esse mandato é das professoras, é das mães, é das mulheres, é das trabalhadoras e trabalhadores, da juventude, dos LGBTQIA+, da negritude. E é por isso que a gente está sendo perseguido", disse Professora Angela, primeira vereadora do PSOL em Curitiba. "Esse ato mostra que a esquerda de Curitiba está viva, que a gente tem vocação para as ruas e que a gente vai dar uma resposta para essa direita que quer nos ver no chão".

Jones Manoel, Professora Angela, Fernanda Melchionna, Samia Bomfim de Glauber Braga / Foto: Tami Taketani/Plural

Ela lembrou outros casos de parlamentares de esquerda que têm seus mandatos ameaçados, como a vereadora Brisa Bracchi (PT), em Natal; Professor Hamilton Assis (PSOL), em Salvador; Quezia Lucena (PSB) em Camaçari (BA); e Mariana Conti (PSOL), em Campinas (SP).

"O que está acontecendo aqui em Curitiba não é um caso isolado. Faz parte do que a extrema-direita vem fazendo nesse país inteiro. São vários mandatos sendo perseguidos", disse Professora Angela. "E agora temos o caso da nossa companheira Mariana Conte, que estava na Flotilha da Liberdade. Assim que ela estava retornando para o Brasil, entraram na Câmara de Campinas pedindo a cassação porque ela 'abandonou' o mandato. Ela estava licenciada do mandato, muito diferente de uns e outros que estão lá nos Estados Unidos conspirando contra o país", disse a vereadora em relação a Eduardo Bolsonaro.

Para Professora Angela, a direita só aceita mulheres "domesticadas". "Curitiba elegeu 12 mulheres, não todas na mesma trincheira que nós. Eles até suportam algumas mulheres, desde que elas estejam domesticadas, que elas não enfrentem, que elas baixem a cabeça, que elas não denunciem. Mas quem tem um mandato combativo, assim como Glauber tem, assim como o Renato Freitas e tantos outros desse país, esses são perseguidos".

Primeira vereadora eleita pelo PSOL em Curitiba, Professora Angela enfrentou um pedido de cassação logo no início do mandato, por ter defendido a Palestina. "Agora, é pela política de redução de danos e sobre a audiência pública que nós ousamos fazer dentro da Câmara Municipal de Curitiba. Não tem fundamento jurídico em tudo isso. O próprio Ministério Público já nos deu razão. Eu também fui denunciada no Ministério Público e lá o caso foi arquivado, porque eles entenderam que eu estava no meu exercício parlamentar".

Ela lembrou que o corregedor da Câmara, Sidnei Toaldo (PRD), que encaminhou o caso, teve seu mandato cassado por fraude na cota de candidaturas femininas. E que um de seus denunciantes, Bruno Secco (PMB), também tem o mandato ameaçado.

"O corregedor está tendo o seu mandato ameaçado de cassação pela Justiça, não é pelo plenário da Câmara, a Justiça está dizendo que ele fraudou cotas de gênero nas eleições, que usou candidaturas laranjas de mulheres. O outro acusador do meu caso, Bruno Secco, também fraudou cotas de gênero. Aqueles que se dizem paladinos da moral têm a moral muito baixa".
Professora Angela, vereadora

Jones Manoel ironizou a manifestação feita pela extrema direita na frente da UFPR no dia 21 de setembro, quando mal conseguiram encher a escadaria do prédio histórico. "Por que eles apareceram aqui agora? Não apareceram porque aqui tá lotado e aqui é nosso. Professora Angela, todo esse processo só vai lhe fortalecer, vai fazer com que cada vez mais pessoas reconheçam o seu trabalho, reconheçam você como uma representante legítima do povo trabalhador e de todas as lutas de Curitiba e do Paraná inteiro. Isso aqui não é terra de fascista. Professora Ângela fica e sem anistia pra golpista".

Fernanda Melchionna, que já enfrentou um processo de cassação na Câmara dos Deputados, há um processo de perseguição em todo o país. "Existe uma lógica de perseguição a pessoas de esquerda que defendem a luta dos professores, a luta das feministas e a luta antifascista. Eu, a Samia e outras quatro parlamentares fomos processadas, a gente sabe como é grave se defender em processos viciados ao invés de estarmos preocupadas em fazer as lutas sociais. O caso do Renato Freitas é uma jurisprudência, apesar de todas as ilegalidades ele foi cassado. Ele foi reconduzido pela Justiça e a manifestação popular foi fundamental".

Samia Bomfim disse que o ataque ao mandato da vereadora é um ataque a todas as mulheres na política. "Em menos de um ano tentaram cassar o mandato da Professora Angela duas vezes, pelas pautas que ela defende, não por corrupção ou por ter agido contra o povo. Querem cassá-la pelo que ela é e consequentemente querem casar a voz dos que votaram nela. Por isso estamos aqui. O ataque ao mandato atinge todas nós, mulheres que estamos na política".

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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