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Ratinho Júnior quer criar teto para repasses ao TJ, à Assembleia e ao Ministério Público

Pela proposta, que não teria sido bem aceita pelos outros poderes, repasses em 2026 não poderão ser superiores aos deste ano

Ratinho Júnior quer criar teto para repasses ao TJ, à Assembleia e ao Ministério Público
A presidente do TJ-PR, Lidia Maejima, o presidente da Alep, Alexandre Curi, e o governador Ratinho Júnior na manhã desta sexta-feira (25). Foto: Tami Taketani/Plural
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O governador Ratinho Júnior (PSD) quer criar um teto nos repasses para os poderes Legislativo e Judiciário, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e o Ministério Público do Paraná (MP-PR). A Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) informou que foi criado um grupo de trabalho para analisar as mudanças propostas na próxima Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que vai basear a elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2026.

A proposta de LDO enviada pelo governo à Assembleia para o próximo ano estabelece que os repasses em 2026 não poderão ser superiores aos deste ano – corrigidos apenas pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acumulado de julho de 2024 a junho de 2025, acrescido da taxa de variação do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, referente ao ano de 2024 em relação a 2023, apurado pelo IBGE.

Os índices de repasses são os mesmos da LDO de 2025: o Poder Legislativo receberá 5% da Receita Geral do Tesouro Estadual; o Poder Judiciário; 9,5%; e o Ministério Público, 4,2%. Do percentual destinado ao Legislativo, o Tribunal de Contas do Estado terá direito a 1,9%. Nos dois projetos o Executivo fica autorizado a abrir créditos suplementares “de acordo com a disponibilidade orçamentária e financeira”; a diferença no próximo ano seria a impossibilidade de aumentar o valor total dos repasses.

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A destinação extra de recursos foi permitida a partir de uma mudança na LOA de 2023, que autorizou o repasse para os outros poderes desde que houvesse superávit nas contas estaduais. Só em 2023, o repasse total ao TJ-PR e ao MP-PR teria chegado a aproximadamente R$ 250 milhões. A economia em 2026 poderia chega ra R$ 320 milhões. A proposta de criação de um teto não teria sido bem aceita pelos outros Poderes.

Segundo a Alep, nesta semana foi realizada uma reunião com representantes dos demais poderes, do MP-PR e do TCE para tratar do tema, além da Procuradoria-Geral do Estado. Foi criado um grupo de trabalho, que vai analisar as mudanças propostas pela nova LDO. Só depois dessa análise será agendada uma reunião com o governador. O projeto só passará a tramitar na Comissão de Orçamento da Alep após essa reunião.

Ratinho Júnior falou sobre o assunto na manhã desta sexta-feira (25), após a cerimônia na sede do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), em que o governador sancionou a lei que cria uma nova Câmara Criminal especializada em crimes de violência doméstica e familiar contra a mulher. 

“A gente tem construído essa discussão com os poderes e também com os órgãos de fiscalização. O Paraná ja é hoje o estado que mais repassa recursos para os poderes e para os órgãos de fiscalização, o que é muito bom, porque eles podem se estruturar”, afirmou. “O que nós estamos organizando com os poderes é fazer um teto, vamos dizer assim, por ano, não tirando dinheiro deles, mas colocando um teto para que a gente possa continuar mantendo a estrutura dos poderes e dos órgãos de fiscalização, mas também que a gente possa colocar esse recurso, que porventura um superávit desse teto possa ser colocado em políticas públicas”.

O governador negou que venha enfrentando alguma resistência. “Isso está sendo construído, cabe à Assembleia fazer uma discussão mais profunda. O governo do estado propôs isso e eu tenho conversado com a Assembleia, com o Tribunal de Justiça e com os órgãos para que a gente possa chegar àquilo que for razoável para todos”, disse. “A gente não quer prejudicar, nós queremos avançar, para que todos os nossos órgãos tenham uma estrutura para atender a população, mas também que a possa colocar um limitador para que o dinheiro excedente possa ir para outras políticas”.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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