O deputado estadual Renato Freitas (PT) depôs nesta segunda-feira (6 de abril) no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) no processo sobre a briga de rua em que o parlamentar se envolveu em setembro do ano passado, no Centro de Curitiba. A defesa do deputado solicitou a anexação de outros vídeos da briga e solicitou que o depoimento fosse adiado, o que foi indeferido pelo presidente do Conselho, Delegado Jacovós (PL). O processo deve ser concluído até o dia 26 de maio.
Os vídeos exibidos na sessão desta segunda foram fornecidos pela Policia Civil, segundo o relator do processo, deputado Márcio Pacheco (Republicanos). "As imagens que nós temos não foram contestadas. E elas não estão sendo o objetivo de julgamento. Não estamos julgando se as imagens são ou não verdadeiras, estamos julgando um fato e até agora não houve nenhuma negativa".
Para o advogado de Renato Freitas, Edson Vieira Abdala, disse que contestou as imagens fornecidas. Segundo o defensor, a Polícia Civil encaminhou apenas o material apresentado por Weslley de Souza Silva, o garagista que se envolveu na briga com Freitas. "Eu já impugnei, inclusive dizendo os minutos, e a autoridade policial só juntou aos autos o que o Sr. Wesley trouxe. Não recebeu vídeo de empresa alguma, isso é um engano, é um erro".
Para Abdala, o deputado não poderia ser ouvido sem que as novas imagens fossem exibidas, sob pena de prejudicar o direito à defesa. "Não dá para apresentar a imagem, o deputado falar e, depois, ter outra deliberação Isto prejudica totalmente a defesa", afirmou o advogado.
Na sessão anterior do Conselho, o deputado Luiz Cláudio Romanelli (PSD) fez um requerimento para incluir as imagens captadas por um condomínio, o que não foi deferido. "O requerimento do deputado Romanelli foi para que todas as imagens, inclusive do condomínio, viessem aos autos. E nós não temos isto aqui ainda. O que temos são pedaços, inclusive acelerados, alterados. Na qualidade de defensor, eu não posso permitir que o meu cliente inicie o seu depoimento sem esta deliberação", disse Edson Abdala.
Jacovós aceitou que novos vídeos sejam anexados ao processo, mas indeferiu o pedido para adiar o depoimento de Freitas. "Nós vamos nos basear no que nós temos. Por outro lado, eu estou deferindo e vou requerer de imediato ao condomínio, a quem quer que seja, que forneça tudo o que tenha à disposição".
Durante a exibição de um dos vídeos já anexados ao processo, Edson Abdala denunciou que havia uma edição. "Esta parte está cortada. E é por isso que nós queremos as imagens integrais. Está cortada essa imagem, produzida".
Após a apresentação, o presidente do Conselho de Ética admitiu que será necessário anexar mais imagens. "Se só são esses vídeos que estão anexados aos autos, eu entendo que há necessidade sim de a autoridade policial buscar mais imagens", afirmou o deputado Jacovós.
Depoimento
Em seu depoimento, Renato Freitas disse que voltava de um exame, que mostrou que ele seria pai de uma menina, quando foi provocado por Weslley de Souza. O garagista teria feito uma manobra perigosa em cima da calçada, perto do casal e do assessor, e ofendido o deputado, chamando-o de "lixo" e "noia".
Em seguida, segundo Freitas, Weslley estacionou o carro na garagem de um prédio e voltou para brigar. "Eu já fiquei em alerta e falei para minha companheira grávida, para esperar. Eu não queria que tivesse um conflito físico ao lado dela, por isso eu fui no encontro dele".
De acordo com o deputado, as agressões ao garagista duraram nove segundos. "Nove segundos sem contato físico meu, as imagens mostram. O Carlos (assessor) já tinha imobilizado o rapaz. Tudo isso durou nove segundos ou menos". Depois disso, Weslley teria retornado com duas pessoas. Foi neste momento que o deputado e o garagista começaram a brigar.
"Ele que me deu o primeiro soco. Tentei uma briga que não fosse violenta e sangrenta, com golpes nas pernas. Engano meu, porque ele queria uma briga sangrenta. Acabou quebrando o meu nariz. Depois disso eu reagi, acertei alguns golpes, até finalizar num golpe de Jiu-Jitsu". Freitas disse ainda que Weslley de Souza tem passagens pela política por tentativa de intimidação e a utilização de simulacro de arma de fogo.
O deputado ainda criticou deputados e vereadores de Curitiba que estiveram na audiência para gravar vídeos. "Eu só peço silêncio aqui, porque o rapaz está fazendo um vídeo para o YouTube, a gente compreende que ele é um parlamentar do TikTok, mas não aqui", disse. "Eu sei que todo mundo quer falar para a sua própria live 'eu estou cassando o Renato Freitas, vote em mim, eu sou o verdadeiro representante da direita'. Eu sei que tem pessoas parasitando, mas por favor senhor presidente, é porque me incomoda de fato".
Depois da audiência, Renato Freitas disse acreditar que prevalecerá a tese da legítima defesa. "Eu estava saindo de um exame de ecografia, o primeiro da minha filhinha vai nascer agora no final de junho. E saindo daquele lugar, uma pessoa me avistou e cada vez mais eu estou convencido que, intencionalmente, tocou o carro para cima de nós. Estava com as quatro rodas na calçada", disse. "No que a gente caminhou, ele tocou o carro. E hoje foi exibido esse vídeo com a velocidade que, de fato, foi. E a velocidade já demonstra que foi, no mínimo, uma ameaça".