O vereador Renato Freitas (PT) entregou nesta quinta-feira (17) o documento com sua defesa prévia sobre o caso da entrada de manifestantes na Igreja do Rosário durante um protesto antirracista em Curitiba.
A defesa já está no Conselho de Ética, mas a responsável não estava na Câmara, por isso não foi possível acessar o teor do documento.
A entrega aconteceu durante um ato contra os despejos durante a pandemia, iniciado em frente à Câmara. Renato falou por mais de dez minutos e disse que a Justiça prevalecerá.
Freitas foi alvo de cinco representações parlamentares e todas elas pedem a cassação do mandato por quebra de decoro parlamentar. Com a entrega da defesa a comissão vai analisar se dá seguimento no trâmite e leva o caso ao plenário ou se arquiva a investigação.
Em entrevista ao Plural, Freitas disse que o documento se concentra nas três principais acusações que ele enfrenta: ter invadido a igreja.
“Isso é uma mentira, a Igreja estava aberta. Não houve nenhuma ordem para que não entrássemos e uma vez que entramos não houve nenhuma ordem para que saíssemos. Então em hipótese alguma houve invasão.”
O segundo ponto rebate a acusação de que manifestantes entraram durante uma missa e o terceiro de que houve maus-tratos aos fiéis. “As imagens da própria Igreja demonstram que a missa já havia terminado e depois nós entramos, de forma ordeira, pacífica e não mexemos em nada. A minha conduta é justificada pela verdade do acontecido e a gente espera que a verdade prevaleça.”
Nos bastidores da Câmara Municipal conversas apontam que se o processo for ao plenário a cassação do petista é quase inevitável. No entanto, ele diz que não sente medo de perder o mandato.

“Não há o que temer e nem o que se lamentar. Antes de mim outros vieram. Durante o momento que faço essa luta, outros também fazem e depois de mim outros virão. O injusto prevalece (...) portanto sabemos que estamos na mira dos poderosos, mas a gente tem fé em Deus, fé na luta e a gente vai passar por isso.”
O parlamentar é um dos poucos homens negros a ocupar cadeira na Câmara Municipal e considera que há uma perseguição ao seu mandato. “A gente para eles só serve se tiver atrás de um balcão, servindo (...) eu ousei ser o que eu sou.”
Petistas que acompanharam o ato disseram que há possibilidade de o mandato de Freitas ser mantido e apesar do cenário nebuloso, Freitas pretende se manter no meio político. “Eu penso para o futuro [que devo] ampliar minha voz, minha possibilidade de ação, para que, de algum modo unir, mobilizar um maior número de pessoas por justiça, moradia e equilíbrio social. E provavelmente a gente vai se candidatar a deputado estadual.”
Por maioria simples o caso pode ser submetido ao plenário e por maioria absoluta dos parlamentares a punição proposta pode ser efetivada.
Relembre
Renato Freitas participou de um protesto antirracista na Igreja do Rosário, no Centro Histórico da capital, no dia 5 de fevereiro. Na ocasião, os manifestantes lembraram os assassinatos do congolês Moïse Kabagambe e de Durval Teófilo Filho, ocorridos no Rio de Janeiro e ao fim das falas entraram no templo, o que rapidamente repercutiu na web e foi classificado por vereadores da situação como uma “invasão”.