Após a suspensão da candidatura pelo TRE, o ex-vereador Renato Freitas (PT) resolveu pedir o apoio do ex-presidente Lula, que virá a Curitiba no sábado (17) para um comício na Boca Maldita. “Sempre fui um eleitor e um admirador dele e sofri quando Lula perdeu a liberdade injustamente. Por isso eu espero dele solidariedade e compreensão com a nossa luta”, declarou o ex-vereador Renato Freitas ao Plural após a reunião com seus apoiadores organizada nessa quinta-feira (15) no centro de Curitiba. Esse encontro foi marcado para discutir sobre a decisão do TRE, que na quarta-feira (14) não registrou a candidatura de Renato Freitas à deputado estadual.
“Essa é a luta da população negra brasileira que também tem o Judiciário e a força de segurança publica instrumentalizados contra nós historicamente nesse país. Como Lula sofreu, eu espero que ele consiga também entender e si posicionar a nosso favor”, afirmou Renato.
O ex-vereador de Curitiba pediu aos seus apoiadores que comecem uma campanha nas redes sociais para chamar a atenção do ex-presidente sobre o seu caso. “Temos que dizer para ele que aqui em Curitiba está acontecendo um golpe contra um vereador negro de periferia que conseguiu alcançar um importante cargo publico”, diz Freitas durante a reunião. Além de pedir o apoio do ex-presidente da República, a mobilização a favor de Renato terá foco nas redes sociais por meio das hashtags #ficarenato e #renatocandidato para lembrar aos eleitores que a decisão do TRE não é definitiva porque ainda cabe recurso no Supremo Tribunal Eleitoral e Renato Freitas é ainda candidato à Assembleia Legislativa. “Eles querem dizer às pessoas que não sou elegível para dissuadir os eleitores de votarem em mim”, declarou o ex-vereador.
Na manha da quinta-feira (15), por meio de uma nota, a direção estadual do PT também se solidarizou com o ex-vereador. “A cassação do mandato do vereador Renato é fundamentada por dois preconceitos estruturais em nossa sociedade: o preconceito racial e de classe”, afirma a nota assinada por Angelo Vanhoni, presidente do PT de Curitiba, e Arilson Chiorato, presidente do partido no Paraná.
De acordo com o ex-vereador curitibano, há uma ruptura dentro do mesmo partido por conta do seu caso. “Existem pessoas, sobretudo agora em período eleitoral, por interesses mesquinhos e também por manifestações de preconceito, que acreditam que eu não tenho condições de representar o PT por ser como eu sou, ou seja, negro e de periferia”, afirmou Freitas.
Decisão do TRE
Nessa quarta-feira (14), o TRE não registrou a candidatura de Freitas à Assembleia Legislativa. A razão dessa decisão se deve ao fato de que em junho de 2022 a Câmara Municipal de Curitiba cassou o mandato do vereador por quebra de decoro parlamentar. De fato, em 5 de fevereiro deste ano, Freitas foi acusado de ter interrompido uma missa e feito um ato político dentro da Igreja do Rosário durante uma manifestação pelo assassinato de Moise Kabagambe e Durval Teofilo Filho, dois homens negros matados no Rio de Janeiro na mesma semana no começo do ano.
A cassação decidida pela Câmara tirou o vereador dos seus direitos políticos até 2032, ou seja, oito anos após o fim da atual legislatura. No entanto, a decisão do TRE ainda não transitou em julgado e já cabe recursos nas instâncias superiores.