Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) encaminharam uma notícia-crime ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (9), solicitando a apuração de eventual delito na divulgação, por parte do delegado de Polícia Federal que preside as investigações, do deputado federal Filipe Barros (PSL) e do presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, de informações confidenciais contidas no inquérito da Polícia Federal que investiga o ataque hacker sofrido pelo Tribunal em 2018.
Na semana passada, Bolsonaro e Barros falaram à Rádio Jovem Pan sobre um ataque hacker que aconteceu em 2018 contra o sistema do TSE e tentaram vincular isso à fragilidade da urna eleitoral em mais uma tentativa de desacreditar o sistema eleitoral. Na entrevista, os dois se basearam em documentos que o deputado teria conseguido junto à polícia federal. É o acesso a estes documentos que o TSE agora quer que seja investigado.
"Por se tratar de conjunto de informações que deveriam ser de acesso restrito e podem causar danos à Justiça Eleitoral e ao próprio processo democrático de realização e apuração das eleições, solicita-se, ainda, a concessão de medida cautelar criminal com o objetivo de remover as referidas publicações das redes sociais", diz trecho do ofício encaminhado pelo TSE ao STF.
Em nota, o TSE afirmou que o episódio foi amplamente divulgado na época e que, embora sigiloso, não é um inquérito com informações novas. O órgão ainda deu detalhes da invasão e de como ela não afetou a lisura das eleições, como quiseram fazer crer o deputado e o presidente.
"O acesso indevido, objeto de investigação, não representou qualquer risco à integridade das eleições de 2018. Isso porque o código-fonte dos programas utilizados passa por sucessivas verificações e testes, aptos a identificar qualquer alteração ou manipulação. Nada de anormal ocorreu", afirmou o TSE.