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Após ter projeto com recorte de gênero adiado por cinco sessões, vereadora recebe flores pelo Dia da Mulher

Um dia antes da homenagem, única vereadora de Cascavel ouviu em plenário: “A gente precisa ter mulheres mais femininas e não mais feministas”

Após ter projeto com recorte de gênero adiado por cinco sessões, vereadora recebe flores pelo Dia da Mulher

A Câmara de Cascavel aprovou na segunda-feira (02) o adiamento por cinco sessões do projeto “Elas pelo Clima”, da vereadora Bia Alcântara (PT), única mulher entre os 21 parlamentares da Casa. Durante a discussão em plenário, o vereador Fão do Bolsonaro (PL) criticou o recorte de gênero da proposta e afirmou: “A gente precisa ter mulheres mais femininas e não mais feministas”.

Na mesma sessão, os vereadores aprovaram em primeiro turno a criação do Programa Municipal de Enfrentamento às Mudanças Climáticas e Resiliência Urbana, de autoria do vereador Hudson Moreschi (Pode). O texto estabelece diretrizes para planejamento territorial, drenagem urbana, gestão de risco e eficiência energética, sem recortes específicos por gênero.

O pedido de adiamento do “Elas pelo Clima” foi apresentado por Fão do Bolsonaro e aprovado por 13 parlamentares.

O projeto da vereadora propõe a criação de um programa municipal para mapear como a crise climática afeta meninas e mulheres no município, considerando recortes de gênero, raça, classe, território e geração. A iniciativa pretende reunir dados que subsidiem políticas públicas nas áreas de assistência social, defesa civil, educação e planejamento urbano.

Durante a discussão, Bia pediu voto contrário ao adiamento. Disse que o projeto não cria despesas imediatas e que o município precisa produzir informações para orientar políticas públicas.

“Seria fundamental que esse projeto fosse aprovado o mais cedo possível”, defendeu. A vereadora destacou ainda que não era a primeira vez que um texto de sua autoria voltado às mulheres era retirado de pauta.

Fão do Bolsonaro contestou o argumento com ironia. Em plenário, questionou se o sol “bate diferente” para homens e mulheres no campo ou na construção civil e afirmou que os efeitos da crise climática atingem “todo mundo”. Em seguida, dirigiu-se diretamente à colega: “A gente precisa ter mulheres mais femininas e não mais feministas”.

Após a aprovação do adiamento, Bia respondeu que continuará apresentando projetos voltados às mulheres.

“Fiquem tranquilos. Vocês podem continuar votando o contrário aos meus projetos que tratam sobre mulheres que eu vou continuar fazendo, porque essa é a minha função. Por mais que eu tenha a sensação de que seria melhor para alguns de vocês que eu ainda estivesse em casa, limpando, cuidando de filhos, eu estou aqui”, declarou.

Homenagem no plenário

No dia seguinte à suspensão do projeto, nesta terça-feira (03), Bia foi convidada ao centro do plenário pelo presidente da Câmara, Tiago Almeida (Republicanos), para receber um arranjo de flores em homenagem antecipada ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março.

Ao entregar a homenagem, Almeida afirmou que o gesto era feito “em nome dos 21 vereadores” e destacou que Bia é a única mulher da atual legislatura.

A vereadora recebeu a flor e permaneceu ao lado do presidente para o registro fotográfico. Antes da imagem, um vereador se aproximou para cumprimentá-la. Após o registro, outros dois parlamentares a cumprimentaram. Em seguida, os demais vereadores retornaram aos seus lugares no plenário.

Depois da sessão, Bia comentou o contraste entre a homenagem e a rotina de debates na Câmara. “São homens que não querem pensar em políticas para mulheres, não querem escutar mulheres, mas chega no Dia das Mulheres dão flores”, afirmou.

A vereadora também relatou que, durante o grande expediente da sessão desta terça-feira, utilizou a tribuna para apresentar dados sobre violência contra mulheres no município, mas que o plenário ficou praticamente vazio enquanto falava.

Em junho de 2025, Bia já havia criticado o adiamento por 13 sessões do “Programa Mulher Protegida”, projeto de sua autoria voltado ao fortalecimento da rede de proteção às mulheres no município. A proposta retornou à pauta após o prazo regimental e foi aprovada por unanimidade.

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