Vereadoras do bloco de oposição na Câmara de Curitiba devem protocolar na segunda-feira (23) pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a Fundação de Ação Social (FAS) da prefeitura. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (19), durante um encontro no Sindicato dos Servidores Públicos Municipais Curitiba (Sismuc).
A iniciativa é da vereadora Professora Angela (Psol) e já conta com apoio formal das vereadoras Vanda de Assis (PT), Giorgia Prates (PT) e Camilla Gonda (PSB). Para ser criada, a CPI precisa de, no mínimo, 13 assinaturas.
O pedido de abertura de CPI ocorre depois de uma série de denúncias do Sismuc sobre o que a entidade nomeou de “colapso na assistência social”. Segundo o sindicato, uma das questões mais preocupantes é relacionada com as pessoas em situação de rua. Oficialmente há 4,2 mil pessoas em situação de rua em Curitiba, mas organizações que atuam nesta frente apontam que o número real pode ser superior a 7 mil. Neste cenário, há apenas 1,6 mil vagas de acolhimento e pouco mais de mil trabalhadores para dar conta dos atendimentos.

“Um dado que nos assusta muito é que desses 1054 profissionais [que trabalham na Assistência Social], 510 profissionais tiveram afastamento médicos e a média de dias de afastamento é de quinze dias, foram mais de 7 mil dias de afastamentos. Então, algo não está certo. A assistência social de Curitiba, além de ser precarizado no trabalho, tem adoecido os trabalhadores”, criticou a coordenadora-geral do Sismuc, Juliana Mildemberg.
A diretora do Sismuc, Ariane de Assis de Andrade, também criticou as condições de trabalho para que os profissionais atendam quem precisa da assistência. Ela também destacou a impossibilidade de os trabalhadores questionarem a gestão, sob pena de represálias.
O Sismuc apresentou dados, vídeos e relatos de trabalhadores sobre a situação dos locais de acolhimento da FAS. Uma das situações era a da Casa de Passagem Doutor Faivre, que o Plural noticiou recentemente. O local passou por uma infestação de percevejos que prejudicou tanto usuários quanto servidores.
Diante do cenário preocupante, as parlamentares decidiram abrir o pedido de investigação na Câmara. Segundo a vereadora Vanda de Assis, as denúncias contra a FAS são recorrentes. “E não é de agora, isso já vem da outra gestão. Há muitas irregularidades e há elementos que evidenciam o abandono e a negligência. A ideia da CPI é investigar o que acontece na Fundação e na política de assistência social como um todo, porque é dessa maneira que nós vamos contribuir com uma política efetivas”, destacou a parlamentar.
