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Talvez você nem tenha notado (a polpa carnuda e pesada do abacate não é para todo mundo), mas o preço do quilo do abacate em Curitiba andou levantando voo. E não foi só por aqui. O preço médio do quilo da fruta começou 2024 em R$ 6,50 e chegou a novembro batendo no R$ 19,29, um aumento de 196% em todo Paraná.
Mas o que está acontecendo? A valorização do abacate é uma consequência da globalização. A fruta “viralizou” nos últimos anos e deixou o papel de coadjuvante para virar protagonista, especialmente em preparações para o café da manhã. Como resultado, a produção viu seu preço aumentar, atraindo a atenção da indústria agropecuária de inúmeros países.

No Brasil, que é um grande produtor da fruta, a produção nacional ia quase integralmente para o consumo local. O país era, em 2021, 23o no ranking mundial de exportações de abacate, e exportava menos de 2,5% da safra.
Mas nos últimos anos o governo brasileiro tem auxiliado os produtores locais a ganhar mais mercados no exterior, como o Japão. O país tem visto o valor das exportações crescer muito rápido. De 2022 para 2023, o total exportações cresceu 143,40%. E em 2024 o país atingiu o volume de exportações de 2023 no terceiro trimestre do ano.
Essa carreira comercial de sucesso, porém, levou os preços no mercado local para as alturas. De 2023 para 2024 a tendência de valorização se manteve e fruta está sendo comercializada por até R$ 26,50 o quilo para a variedade avocado. Segundo o Ceasa, o preço está estável, mas isso não significa que irá se manter até o fim do ano. A safra tardia de abacate é colhida em outubro e novembro e a próxima colheita deve começar só em fevereiro.
O abacate, porém, não é sozinho o culpado pelo aumento no custo da alimentação. Nos índices de aumento de preços, a alimentação está em quinto lugar entre os itens com maior peso no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), com aumento acumulado no ano de 4,81% (em outubro).
Entre os 43 itens hortifrutigranjeiros monitorados pelo CEASA, 20 tiveram aumento do preço médio de comercialização do quilo desde janeiro. Além do abacate, o limão tahiti (179%) e a mandioquinha (163%) também registraram variação positiva de mais de 150% em relação ao preço médio do quilo no período.
A gente preparou uma ferramenta bacana aqui que permite que você consulte a evolução do preço do quilo de diversos hortifrutigranjeiros em Curitiba e no Paraná.
Se a indústria do abacate instigou sua curiosidade, a Netflix tem um episódio de Rotten só sobre a fruta. É o primeiro episódio da segunda temporada da série, que mostra como o abacate foi da Califórnia para o controle dos cartéis no México.
Planos de saúde

Quem tem plano de saúde privado também levou um susto com o reajuste desse ano. Na média nacional, os planos privados tiveram reajuste médio de 13,8%. Mas o mercado curitibano de planos de saúde coletivos é, atualmente, liderado por três operadoras que atendem 54% dos beneficiários da cidade.
Desses três planos apenas o ICS (plano de saúde dos servidores públicos do município) tiveram reajuste muito abaixo da média nacional: 5,29%. A Clinipam, segundo maior plano da cidade com 106 mil beneficiários, aplicou índice médio de 17,81% de reajuste em seus planos coletivos. E a Unimed Curitiba, líder do mercado com 362 mil beneficiários na cidade, reajustou seus planos em média em 13,10%.
Os dados da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) mostram que desde 2015, Clinipam e Unimed Curitiba estão gradualmente aumentando a participação no mercado local. Junto com o ICS, os dois planos aumentaram em 4 pontos percentuais a participação no setor.
A liderança da Unimed Curitiba não é novidade. Mas a Clinipam - que foi adquirida pela Notre Dame e posteriormente incorporada pela Hapvida - tomou o lugar da Amil. Em 2015 a Amil detinha o atendimento de 131 mil beneficiários enquanto a Clinipam tinha 124 mil. Ambos os planos perderam clientes, mas a Clinipam permaneceu em segundo lugar enquanto a Amil chegou, em 2024, a 59 mil beneficiários, uma redução de 54% no número de clientes.
Para os clientes, Unimed e Clinipam ofertam experiências diferentes com algumas semelhanças. Ambas empresas estão investindo na verticalização dos serviços, ou seja, na prestação dos serviços em unidades próprias. O processo é mais acentuado na Clinipam, cujo atendimento é quase integralmente prestado por unidades próprias.
Desde 2023, a Clinipam tem encerrado convênios com prestadores terceirizados, como o Hospital Angelina Caron. Mesmo o atendimento clínico com especialistas têm sido realizado preferencialmente nas unidades da empresa.
É possível consultar o histórico da participação de mercado dos planos coletivos em Curitiba aqui.
Não deu certo
Quando mudou a forma de contratação de vagas da Educação Infantil a Prefeitura de Curitiba achou que iria ocupar as vagas ociosas da iniciativa privada. Cinco anos depois, a realidade é que as escolas estão deixando de atender o público em geral para prestar serviço para o município.
Os dados analisados pelo Plural mostram que 86% das escolas contratadas têm 50% ou mais de suas vagas ocupadas por alunos da rede municipal. A mão pesada do Estado nesse setor inverteu uma lógica do mercado: enquanto as escolas municipais públicas tendem a nivelar por cima os salários dos professores da Educação Infantil, a participação do município das escolas infantis privadas estão forçando para baixo a remuneração dos docentes das escolas particulares.
A queda no salários das professores (e são, na maioria, mulheres) se dá de duas formas: no salário nominal, que fica em torno de R$ 1600 por mês para uma professora no contrato de 30 horas semanais e no encerramento dos contratos de trabalho antes do fim do ano. Ou seja, ao invés de ter o trabalho garantido pelos 12 meses, os docentes estão sendo contratados só para 10 meses.
Isso acontece porque o contrato da prefeitura paga por 200 dias de aula, dizem os proprietários de escolas ouvidos pelo Plural.
Isso é uma má notícia não só para a rede pública de ensino, mas também para os alunos da rede privada. Isso porque as escolas públicas ao nivelar os salários dos professores por cima força o setor como um todo a remunerar melhor seus docentes, o que teoricamente atrairia bons profissionais para o setor. Com a redução dos salários, a qualidade dos profissionais e do ensino como um todo pode sofrer.
A Prefeitura de Curitiba, o Plural apurou, pretende comprar mais 6 mil vagas (além das 15 mil que já contratou) para a Educação Infantil no setor privado. A ideia é usar a rede particular para tentar zerar a fila por vaga no setor. Essa estratégia, porém, têm contribuído para aumentar o déficit de vagas, porque as famílias que têm crianças nas escolas particulares com convênio com a prefeitura acabam migrando para a rede pública quando percebem que podem manter a criança na escola, mas ter a mensalidade paga pelo município.
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Até a próxima semana!
Rosiane Correia de Freitas