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Por que você deve evitar a Amazon sempre que puder

Assim como existem várias formas de entender o mundo, deveria haver uma variedade de livrarias capazes de conter essas diferenças

Por que você deve evitar a Amazon sempre que puder
Jeff Bezos: dono da Amazon e do Washington Post. Foto: Divulgação
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Antes de chegar na Amazon quero contar uma pequena história. Essa semana minha filha estava fazendo a lição de literatura e pediu a minha ajuda com uma pergunta. O exercício era para ler um conto e depois responder algumas perguntas. A última questão era algo como “a leitura de um conto pode ajudar a compreender a realidade?” Não foi difícil para ela chegar à conclusão que sim, a literatura ajuda a compreender a realidade. A leitura de um livro de ficção pode nos apresentar situações e experiências que apesar de não serem reais podem refletir a realidade e fazer com que possamos refletir sobre eles. E sem essas leituras não teríamos como atentarmos que eles existem e perderíamos uma parte importante do que acontece à nossa volta.

Logo podemos dizer que os livros, tanto de ficção quanto de não ficção, são importantes para ajudar a nossa percepção do que acontece no nosso dia a dia e no mundo. Guardemos isso.

Em agosto de 2013 Jeff Bezos comprou o jornal Washington Post, um dos mais tradicionais dos Estados Unidos. Lembro que na época se falava que era uma coisa bacana, o jornal estava para fechar as portas e o Bezos chegou como salvador, preservando um canal importante de notícias. Como as coisas enganam. Vamos para fevereiro de 2025, o mundo um lugar bem diferente do que em 2013, Jeff Bezos manda um recado para os jornalistas do seu jornal. Agora o Washington Post focará em apoiar e defender temas ligados às liberdades pessoais e aos mercados livres. Até podem ser abordados outros assuntos, mas não publicará pontos de vista que se oponham a essas duas ideias.

Chegamos então à Amazon. Não é segredo para ninguém que a estratégia da Amazon é através de descontos agressivos (e bota agressivos nisso) acabar com a concorrência e se tornar praticamente a única opção. Vários países criaram leis para tentar evitar que isso aconteça. E mesmo assim hoje já existem pesquisas que mostram que a Amazon vende mais da metade dos livros no mundo. Isso é assustador.

Se pensar sobre os três parágrafos acima, não é uma loucura imaginar que a Amazon poderia ditar os livros que você compra e assim, de certa maneira, influenciar como você vê e até compreende o mundo.

Leia mais: Livreiros indicam livros melhor do que algoritmos

O monopólio é sempre um problema, falando de livros e ainda de uma loja virtual a coisa fica mais complicada ainda. Quando você entra em uma livraria física todos os livros estão expostos. Você caminha por entre as estantes e seus olhos e atenção são atraídos para um ou outro livro por alguma razão. Capa, título, disposição. Com um pouco de paciência você consegue cobrir uma boa parte do acervo e dependendo da sua curiosidade ver livros bem diferentes. Na Amazon não. O número de livros para ver é imenso, é humanamente (essa palavra é importante) impossível ver todos os livros. Você acaba reduzido as sugestões que o algoritmo lhe dá, baseado em suas compras passadas, nos livros que você já viu e na proximidade que um livro tem com outro. Pelo menos é o que dizem.

Você pode pensar, mas em uma livraria física também existem limitações, a pessoa que faz a curadoria escolhe os títulos que ficam em destaque, os livros que fazem parte do acervo da loja. Exato. Por isso é importante existirem várias livrarias, com acervos montados por pessoas diferentes. A questão é que pelo menos nas livrarias menores o acervo é construído por uma pessoa, um livreiro ou livreira, que seleciona o que vai para as estantes. Nos lojas virtuais é um algoritmo, não existe estante para você ver ou andar, não tem o acaso, tudo que você vê na tela foi previamente escolhido por um algoritmo.

Em um país como o nosso com tantos problemas econômicos e sociais seria loucura eu chegar aqui e falar para você não comprar da Amazon, ignorar um desconto que às vezes é o que possibilita a compra do livro, a ideia é quando for possível não comprar da Amazon. Procurar outras livrarias, não deixar que nossas opções fiquem reduzidas a apenas uma loja. É importante, é essencial, que tenhamos outras livrarias, com outras visões, outros livros. Só assim poderemos ter uma diversidade não só de histórias, mas de olhares do mundo.

Tags: Paraná

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