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Prefeitura faz despejo de bares e restaurantes no Largo da Ordem

Expansão do Memorial de Curitiba levou à saída forçada de comerciantes, que reclamam da pressa e se endividam para poder mudar de lugar

Prefeitura faz despejo de bares e restaurantes no Largo da Ordem
Estabelecimentos sendo fechados devido ao projeto de expansão do Largo da Ordem. Foto: Tami Taketani/Plural
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Texto de Breno Gallina, aluno de Jornalismo da PUCPR
Sob orientação de Rogerio Galindo

A Prefeitura de Curitiba despejou seis pequenos comércios no centro histórico da cidade. A expulsão foi forçada e às pressas: um dia antes do prazo para saída (já considerado curto pelos donos dos estabelecimentos), a água foi cortada. Sem ter como continuar a atender e sem conseguir diálogo para ganhar mais tempo, os empresários começaram a mudança entristecidos.

Um dos afetados diretamente pelo projeto é Wessam Al Hrak, dono do restaurante Al Beek. Segundo o proprietário, por mais que os estabelecimentos da região tenham sido notificados com antecedência, o ultimato da desapropriação entrou em efeito rapidamente. 

Só nos últimos dias, Al Hrak conseguiu um novo lugar perto o suficiente para manter sua clientela original. Depois disso, foi hora de tirar tudo às pressas - caso algo fosse deixado para trás, seria confiscado pela Prefeitura. Por isso, o empresário passou mais de um dia acordado junto com a família para levar todos os seus pertences de um local para o outro. 

Wessam Al Hrak reorganizando seu novo estabelecimento. Foto: Tami Taketani/Plural

Como o Al Beek ficava num imóvel alugado, Wessam não recebeu q1ualquer tipo de indenização pela reapropriação. O jeito foi recorrer a empréstimos bancários para fazer a mudança. Boa parte da família trabalha no restaurante, e todos dependem do retorno financeiro do local para viverem. Com o congelamento dos negócios e os empréstimos, a situação financeira dos Al Hrak se deteriorou - e pode levar anos para eles voltarem ao ponto onde estavam.

A Prefeitura de Curitiba diz que a desapropriação de imóveis no Largo da Ordem é parte do projeto de expansão do Memorial de Curitiba.

Memorial

A Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar) fez um apelo público nesta segunda-feira (13) à Prefeitura de Curitiba e à Procuradoria-Geral do Município (PGM), pedindo mais prazo e diálogo antes do cumprimento da ordem de desapropriação de imóveis no Largo da Ordem, região histórica no centro da capital paranaense. Os empresários não conseguiram cassar a liminar que garantia o despejo.

Segundo a Abrabar, aproximadamente 80 famílias dependem diretamente do funcionamento desses bares. A entidade alerta que muitos empresários não têm outro local para se instalar e temem a inviabilização definitiva de seus negócios. Apesar do projeto urbanístico, a medida causou apreensão entre os comerciantes locais, que temem perder o sustento de suas famílias e funcionários. A Abrabar reforça que não se opõe ao desenvolvimento da cidade, mas pede diálogo, transparência e tempo razoável para que os empreendedores possam se reorganizar.

De acordo com Fábio Aguayo, presidente do Abrabar, o Largo da Ordem é uma região degradada da cidade, que necessita de uma revitalização, porém a velocidade que o projeto foi ordenado é pouco cordial. Ele diz que a decisão da prefeitura causou desespero entre aqueles que trabalhavam na região, pois a maioria não tinha um plano para se recuperar. Aguayo diz ainda que a Abrabar continuará auxiliando aqueles que estão sendo afetados pela Prefeitura, e que espera que a instituição seja rápida em disponibilizar novos alvará para os empreendedores que estão sendo despejados.

Breno Gallina

Breno Gallina

Estudante de Jornalismo da PUCPR, e entusiasta da geopolítica, história e rock.

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