Pular para o conteúdo

Prefeitura vai ampliar subvenção do transporte sem reduzir tarifa

Dinheiro público poderá bancar infraestrutura para empresas concessionárias poderem usar ônibus elétricos no transporte

Prefeitura vai ampliar subvenção do transporte sem reduzir tarifa
Depois de 25 anos, Prefeitura não teve tempo de elaborar edital de nova licitação do transporte. Foto: Tami Taketani/Plural
Publicado:

A Prefeitura de Curitiba acaba de apresentar à Câmara Municipal um projeto de lei que amplia a subvenção pública dos custos do transporte coletivo na cidade. O dinheiro público irá ser entregue ao Fundo de Urbanização de Curitiba (FUC). Em 2024 o município já subsidiou o sistema com injeção de R$ 150 milhões para bancar a diferença entre o que é arrecadado na catraca e o que é pago às empresas concessionárias.

Este ano, nos seis primeiros meses do ano, a subvenção do transporte coletivo já soma R$ 132 milhões.

No Projeto de Lei apresentado ao legislativo, o prefeito Eduardo Pimentel (PSD) pede a alteração do artigo 14 da Lei 12.597 de 2008, que organiza o Transporte Coletivo em Curitiba. O novo texto estabelece que a URBS fica "autorizada a subvencionar a reestruturação da Rede Integrada de Transportes de Curitiba - RIT com solução de eletromobilidade e outras tecnologias".

Essa modificação prevê o aporte de recursos do município no FUC para compra de veículos elétricos, implantação da infraestrutura de recarga elétrica, eletropostos e demais equipamentos nas garagens de ônibus, melhoria da infraestrutura urbana nas vias e a desapropriação de imóveis.

Transporte coletivo perdeu 63% dos passageiros e continua encolhendo
Rede de Transporte encolhe e fica mais cara, mostram novos demonstrativos de custo do sistema publicados pela URBS

Na semana passada a prefeitura conseguiu que a Câmara aprovasse também duas autorizações para empréstimos no total de R$ 1 bilhão para compra de ônibus elétricos para o transporte coletivo.

Na prática, isso significa que o município vai aumentar seu gasto com a Rede Integrada de Transporte, mas isso não vai se traduzir em redução do valor da passagem paga pelo usuário. Além disso, a prefeitura irá usar dinheiro público para viabilizar a estrutura que permitirá às empresas de transporte coletivo explorar o uso dos ônibus elétricos durante todo o período da concessão. A contrapartida, diz o texto, será a reversão dos eletropostos, infraestrutura e demais investimentos para o FUC ao final da concessão.

O prazo da nova concessão ainda não foi definido, mas é improvável que seja inferior aos 15 anos da concessão atual.

URBS confiscou R$ 22 mi em passagens expiradas em 2024
Total representa 2,59% das compras de crédito no ano e 2,21% do custo total do sistema, que foi de R$ 1 bilhão em 2024

O texto que será analisado na Câmara também estende por mais dois anos os atuais contratos porque a Prefeitura não conseguiu realizar a licitação com tempo hábil para que a transição de contratos acontecesse antes de setembro de 2025, quando a concessão atual vence.

Nesse período, a prefeitura anunciou que não irá reajustar a tarifa social (a que é paga na catraca). A tarifa técnica - aquela que é paga às empresas concessionárias - porém continuará a ser calculada mês a mês. Este ano ela está, em média, acima de R$ 8 por passageiro equivalente, enquanto a tarifa social é de R$ 6.

Isso significa hoje que além de arrecadar todo dinheiro pago pelos passageiros na catraca, as empresas de transporte coletivo recebem, em média, por mês, cerca de R$ 22 milhões a mais.

Déficit do transporte coletivo em Curitiba chega a R$ 130 milhões
Desde janeiro a Prefeitura está arrecadando R$ 6 na catraca, mas paga às concessionárias, em média, R$ 8,01 por passageiro equivalente

Outra mudança importante no texto se refere ao cálculo da tarifa técnica. A lei em vigor determina que sejam considerados no cálculo os custos dependentes, custos de pessoal de operação, custos de administração, de depreciação, tributários e a rentabilidade justa. A nova redação retira do cálculo a rentabilidade justa, mas acrescenta "a remuneração do capital empregado nos serviços".

Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

Todos os artigos

Mais em Paraná

Ver todos

Mais de Rosiane Correia de Freitas

Ver todos

De nossos parceiros