O jornalista e escritor curitibano Christian Schwartz será o autor da primeira biografia de Dalton Trevisan. O livro, ainda sem título, sairá pela Todavia, editora paulistana que comprou no ano passado os direitos da obra do contista. Embora não deva ficar pronto para junho, data do aniversário de Dalton, o livro será parte das comemorações do centenário do escritor.
Christian teve acesso a toda a correspondência do escritor e também conseguiu um depoimento de pouco mais de uma hora que, segundo ele, serviu mais como guia para tirar dúvidas sobre alguns fatos obscuros.
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Trevisan, considerado um dos mais importantes escritores brasileiros, faleceu em dezembro do ano passado, em Curitiba, aos 99 anos. Deixou 38 livros publicados, na grande maioria de contos, além de coletâneas e pequenas plaquetes que circulavam clandestinamente entre amigos.
Segundo Christian, o livro será mais uma biografia sobre a produção intelectual de Dalton, que não gostava de falar sobre sua vida pessoal. Um de seus lemas era que “a obra é mais importante do que o autor”, o que o levava a jamais dar entrevistas ou comparecer a eventos públicos.
“Claro que é impossível contar a história da pessoa sem entrar em alguns aspectos sobre seu dia a dia, sobre a família, sobre as origens”, diz ele, que atualmente está na fase final de escrita.
“Mas mesmo que a gente quisesse contar a vida pessoal dele, isso não faria sentido como centro do livro. Ele era uma pessoa com uma vida muito pacata, repetitiva. Se você pega um dia dele de 1969 e um de 1999, são praticamente iguais.˜
Um dos centros da biografia será a discussão sobre literatura que Dalton manteve, ao longo de muitos anos, com o escritor mineiro Otto Lara Resende, um de seus melhores amigos. A correspondência de 600 cartas entre os dois foi disponibilizada por Fabiana Faversani, responsável por gerir o legado de Trevisan.
Segundo Christian, foi um choque descobrir que ele poderia ter acesso ao material manuscrito de Trevisan, incluindo as cartas e diários. “A Fabiana me disse que eu podia acessar e que eu fui o primeiro a pedir”, conta o jornalista.
Embora ainda não esteja pronto, Christian acredita que o livro terá cerca de 300 páginas.