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Professor Armando Dalla Costa, da UFPR, deixa legado de pesquisa e amor

Falecido no último sábado, o professor Armando Dalla Costa deixa seu nome cravado no arcabouço brasileiro da produção e disseminação científica

Professor Armando Dalla Costa, da UFPR, deixa legado de pesquisa e amor
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Falecido no último sábado (5), aos 67 anos, o professor aposentado da UFPR Armando Dalla Costa deixa seu nome cravado no arcabouço brasileiro da produção e disseminação científica. Assinou centenas de publicações na área das Ciências Sociais Aplicadas, à qual se dedicou em inúmeros e grandes projetos para atrair os olhos do mundo ao estado da terra vermelha e às correlações de força entre a indústria e o campo no país. Como pesquisador de excelência, soube transformar um ideal de vida em uma aspiração acadêmica cujo legado agora o eterniza na História.

De frei a docente de uma das mais importantes universidades do país, Dalla Costa construiu uma trajetória de enredo polidimensional. Filho de agricultores do interior do Paraná, formou-se em Filosofia e Teologia e, inconformado pelas origens dos conflitos agrários que se acumulavam pelo Brasil, assumiu papel de protagonista na Comissão Pastoral da Terra (CPT) no estado para estimular a organização política dos acampamentos de homens e mulheres expulsos do campo – organizações que deram origem do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Foi um militante formador, lembram amigos. Investiu anos em lecionar aos colonos deslocados conhecimento básico para que eles próprios pudessem se mobilizar e pressionar o Estado pelos direitos à terra, à moradia, ao trabalho e à dignidade.

Nesta jornada, acompanhou a saga de centenas de famílias de agricultores prejudicadas pela desapropriação de terras determinada pela União, no início da década de 1980, para a construção da Usina de Itaipu, ao lado das quais permaneceu por semanas em um acampamento montado em frente à sede do Incra em Curitiba, à época na Vicente Machado. Também fez parte da Escola de Formação Margarida Alves, institucionalizada para agregar nomes ao processo de luta agrária.

“A proposta era colocar jovens para disputar as direções dos sindicatos, tanto na área urbana como rural, em postos que antes eram ocupados por muitos pelegos. E ele foi nosso professor, um grande educador nesse conjunto que começava a crescer”, recorda Roberto Baggio, da coordenação nacional do MST no Paraná.

Já fora do comando religioso, percorreu o estado ao lado da esposa, a jornalista e também professora da UFPR Rosa Maria Cardoso Dalla Costa, em um intenso trabalho de apoio a organizações de trabalhadores sem- terra. A perspectiva de aprimorar o trabalho na academia trouxe o casal para Curitiba na década de 1990.

De volta aos bancos da universidade, dedicou-se a estudar a história de empresas. Após defender a dissertação de mestrado em 1993 na Universidade Federal do Paraná, cursou doutorado no Instituto de Altos Estudos da América Latina da Nova Sorbonne, na França, onde morou com a família de 1994 a 1997.

“O período de quatro anos de Armando em Paris lhe permitiu descobrir práticas inovadoras para desenvolver suas pesquisas posteriores sobre a agroindústria brasileira contemporânea. Pode contribuir também para mostrar como o Sul ocupa um lugar novo na economia do país”, declarou o então orientador, o historiador francês Guy Martinière, na ocasião de uma homenagem ao docente paranaense organizada no ano passado pela Associação Brasileira de Pesquisadores em História Econômica (ABPHE), entidade da qual Dalla Costa foi um dos fundadores.

“O professor Dalla Costa era daquelas raras pessoas na academia que se dava bem com todo mundo. De uma gentileza ímpar, ele ajudava e orientava todos que chegavam à sua sala, no térreo do prédio do Setor de Ciências Sociais Aplicadas da UFPR. Era orientador até de quem não era oficialmente seu orientando”, conta Marco Cavalieri, pró-Reitor de Administração e colega de departamento.

A jornalista Elza Oliveira Filha recorda do amigo íntimo por virtudes e atributos que o acompanhavam em todas as esferas da vida. Presente com os filhos, com a mulher, com os amigos de dentro e de fora da universidade, e também com os alunos, trilhou uma carreira marcada pelo carinho e pela humanidade aguçada, diz ela. “Falar do Armando é falar de uma criatura extremamente carinhosa, absolutamente cordata e capaz do diálogo e de ser receptivo”.

Nos campos paranaenses, Dalla Costa traçou uma vida. De onde vinham os pinhões que a ele tanto fascinavam, também descobriu injustiças que o inflaram por nobres causas. Não por menos, foi, como dizem os amigos, “um vocacionado”.  

“O nome do professor Dalla Costa não estará mais em artigos e livros a partir de agora, mas o que ele deixou de legado estará, sem dúvida, no que escrevem as dezenas de orientandos, alunos e colegas que puderam aproveitar a gentileza, o enorme conhecimento e a amizade desse grande nome da academia paranaense e brasileira”, completa Cavalieri.

Armando deixa esposa, dois filhos e uma neta de quatro meses.

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