A nova gestão de Curitiba – que, na verdade, não é nova, mas representa a continuidade dos mesmos no poder – tem dado um recado de ataque ao nosso povo: será um governo ainda mais de perdas e de retirada de direitos do que já conhecíamos. É espantoso ver a ampliação da rede de secretários ligados ao megaempresário Renato Feder, cuja fortuna ultrapassa R$ 1,1 bilhão, e a política de privatização do ensino público.
Se no Paraná eles já terceirizam gestões, privatizam e militarizam, agora miram nas nossas creches como um novo produto na prateleira de seus mercados. Vale destacar que a transferência do olho no olho para o virtual nas escolas públicas brasileiras tem levado a um processo que empobrece o conteúdo e retira a autonomia das professoras e professores em sala de aula.
O problema das nossas creches é complexo: falta de infraestrutura e vagas – sãomais de 8 mil crianças aguardando vaga em creche em Curitiba – e horário de atendimento limitado, que não atende à realidade de quem mais precisa desse serviço: mulheres da classe trabalhadora, muitas mães solo e sem rede de apoio. Os empresários da educação alegam maior eficiência, dizendo que o mercado faria melhor. Mas a questão é, antes de tudo, matemática — como uma empresa conseguiria reduzir custos sem comprometer a qualidade, sendo que ela não possui poder de compra superior ao do governo, seja em volume ou em capacidade de negociação? Além disso, há uma questão conceitual: perdemos a autonomia de direcionar a educação pública, de definir quais espaços oferecer e como adaptá-los às características e necessidades específicas de cada região e sua população. Os empresários ignoram essas particularidades, tratando todos de forma padronizada, num sistema de produção em massa que visa formar trabalhadores submissos, mal remunerados e alienados de sua própria realidade.
Como pode uma empresa compreender que precisa ter menos lucro ao atender o povo? Para pais e mães, o que importa é a segurança de seus filhos. Importa que eles possam estudar, que tenham direito garantido à escola, e que o acesso imediato à educação seja uma regra fundamental da nossa cidade no início de cada ano letivo. A prefeitura, ao privatizar, admite sua própria incompetência na gestão pública — motivada não apenas pela ineficiência, mas também pelo interesse no lucro de empresas ligadas aos seus aliados.
Como pode alguém considerar aceitável que os horários das escolas não estejam de acordo com a realidade das mães, que precisam chegar cedo em seus empregos? É completamente inviável que uma mãe trabalhadora tenha que estar no local de trabalho antes mesmo da escola abrir suas portas para receber seus filhos. Esta incompatibilidade de horários cria um dilema impossível para as famílias. A prefeitura, como gestora dos serviços públicos, tem o dever fundamental de adaptar seus horários e sua estrutura para atender às necessidades reais da população, especialmente das classes trabalhadoras que sustentam nossa cidade. Devemos garantir essa politica pública como justiça com as mulheres.
Outro aspecto grave da privatização é o impacto direto na carreira dos profissionais da educação. Com a terceirização das contratações, observamos o fim dos concursos públicos, que historicamente garantiram estabilidade e dignidade aos educadores. Esta precarização do trabalho docente não apenas compromete a qualidade do ensino, mas também desvaloriza uma profissão fundamental para o desenvolvimento de nossa sociedade. A substituição de professores concursados por temporários, muitas vezes submetidos a contratos precários e sem garantias trabalhistas, representa um retrocesso significativo na luta por uma educação pública de qualidade.
Um aspecto crucial que os empresários frequentemente ignoram é a importância de manter um corpo docente estável e integrado à comunidade escolar. A continuidade pedagógica também é essencial para o desenvolvimento de projetos educacionais de longo prazo e para a construção de uma identidade escolar sólida. Professores que conhecem a realidade local podem contribuir de forma mais efetiva para a elaboração do projeto político-pedagógico da escola, garantindo que ele responda verdadeiramente às necessidades da comunidade e ao desenvolvimento humano.
A investida na privatização das creches em Curitiba representada pela futura vinda de Jean Pierre Neto, braço direito de Feder e de Tarcísio em São Paulo, demonstra mais do que uma simples mudança administrativa — é um ataque direto ao direito fundamental à educação pública de qualidade. Quando permitimos que interesses privados controlem a educação de nossas crianças, abandonamos não apenas a responsabilidade do Estado, mas também o sonho de uma sociedade mais justa e igualitária. É urgente que a população se mobilize e exija um sistema educacional que verdadeiramente sirva aos interesses da comunidade, não aos do mercado. O futuro de nossas crianças não pode ser tratado como mercadoria.
Estamos na luta em defesa da educação pública de qualidade.