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Ratinho Jr. viola sigilo e CVM pede esclarecimento à Copel

Governador deu entrevista a coluna que revelou cronograma da privatização da companhia

Ratinho Jr. viola sigilo e CVM pede esclarecimento à Copel
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A entrevista do governador do Paraná, Ratinho Júnior, a Coluna Broadcast do jornal O Estado de São Paulo, pode ter violado o sigilo imposto a operações de empresas com negociações na Bolsa de Valores. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) cobrou da Copel esclarecimentos sobre informações da coluna e de declarações do governo que teriam revelado detalhes da operação de privatização ainda não comunicados ao Mercado.

O sigilo de informações privilegiadas de empresas da Bolsa tem o objetivo de evitar operações fraudulentas com base em informações privilegiadas. Por isso todo fato relevante deve ser comunicado aos acionistas em comunicação padrão realizada pela empresa e após o fechamento das negociações na Bolsa.

Na coluna, Ratinho Junior diz que serão vendidas "apenas ações ordinárias". A coluna também informa que a operação de oferta de ações acontecerá em outubro e que a expectativa é levantar mais de R$ 4 bilhões, superando a maior oferta de ações deste ano, feita pela Rede Assaí.

Atualmente o Governo do Paraná detém 69,7% das ações ordinárias, 6,9% das ações preferenciais e 13% de Units da Copel. No total, o estado detém 31% da empresa. O projeto de transformação da estatal em corporação prevê a redução da participação do governo para um mínimo de 15%.

Em resposta à CVM, a Copel informou que "não há definição quanto aos valores mobiliários objeto da oferta (ações ordinárias, preferenciais e/ou units), tampouco quanto ao eventual cronograma de realização da oferta pública".

Transações atípicas

Não é a primeira vez que a Copel é advertida pela CVM por suspeita de vazamento de informações relevantes. Às vésperas da votação que autorizou a privatização da empresa, a CVM cobrou explicações sobre transações atípicas. A ocorrência desse tipo de situação alerta para a possibilidade de pessoas estarem lucrando com a compra e venda de ações a partir de informações sigilosas.

Na Sanepar a situação se repete. A empresa foi notificada a se manifestar sobre operações atípicas registradas nas ações negociadas no último dia 4 de abril. O volume de ações negociadas saltou de R$ 15 milhões no dia 3 para R$ 45 milhões no dia 4.

Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

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