Pela primeira vez em dez anos, a Câmara Municipal de Curitiba rejeitou em plenário um projeto de denominação de bem público não especificado. O projeto, que foi à votação nesta segunda (14), previa uma homenagem à vereadora carioca Marielle Franco, assassinada há quatro anos no Rio de Janeiro. Mulher, negra e lésbica, Marielle virou símbolo da violência que permeia a política brasileira.
Desde 2012, a Câmara de Curitiba recebeu 436 projetos do gênero. Desses, 329 foram aprovados e promulgados, 33 foram retirados pelo próprio autor e 29 foram arquivados no fim da legislatura, mas apenas um, o de Marielle, foi rejeitado em plenário com 17 votos contrários, 11 a favor e 8 abstenções.
Dados sistematizados pelo Plural identificaram também que 80% dos homenageados são do sexo masculino. A reportagem também identificou que 19 dos homenageados eram da área da educação, 16 eram religiosos e 15 políticos.
Um dos argumentos contrários a homenagem à vereadora é que ela não teria uma ligação com a cidade. A Câmara, porém, aprovou pelo menos quatro homenagens nos últimos dez anos para pessoas que não tinham qualquer vínculo com Curitiba: o presidente da África do Sul, Nelson Mandela, o senador mineiro Darcy Ribeiro, o governador do Pernambuco Eduardo Campos e o arquiteto carioca Oscar Niemeyer.
Segundo informação enviada à Câmara pela prefeitura de Curitiba, há um excedente de mais de 450 projetos aprovados, mas sem indicação de bem a ser nomeado ainda. A cidade tem 131 logradouros a serem nomeados, 20 dos quais já possuem indicação.