Texto de Giovani Sella, aluno de Jornalismo da UFPR
Sob orientação de Rogerio Galindo
Centenas de placas de agradecimento de devotos da milagreira Maria Bueno foram retiradas do local onde fica seu túmulo, no Cemitério Municipal São Francisco de Paula. A Prefeitura de Curitiba solicitou à associação que preserva o local que retirasse as placas que estavam pregadas no muro em frente à sua lápide no final do ano passado.

Em nota, a Prefeitura informou que as placas foram "inadvertidamente" pregadas no muro do Cemitério Municipal São Francisco de Paula e que o túmulo em si permanece intacto. O motivo da solicitação de retirada foi uma reforma realizada nas calhas do cemitério, que já foi concluída.
A associação, que é presidida por floricultores que trabalham no local, recebeu a notificação para a retirada das placas no dia 13 de novembro de 2025. A organização é responsável pela abertura e fechamento da capela, que fica na parte inferior do túmulo e é aberta três dias na semana.
A Prefeitura informou que não tem informações se as placas voltarão para o mesmo local. As placas continham mensagens de agradecimento, graças e milagres alcançados, algumas com mais de 50 anos.

Maria Bueno
Maria da Conceição Bueno nasceu em Morretes, no dia 8 de dezembro de 1864. Ainda quando criança, sua mãe faleceu e seu pai desapareceu na Guerra do Paraguai, sendo criada por uma irmã. Sua irmã sofria de acessos de loucura, o que fez Maria se mudar para Curitiba e viver em um convento das Irmãs Marcelinas entre 1880 e 1888.
Trabalhou como empregada doméstica e lavadeira. Foi uma mulher negra descrita como "muito simpática, de expressão bondosa e corpo bonito". O militar José Diniz, que vivia com Maria, cometeu o crime de feminicídio em 29 de janeiro de 1893.
Maria Bueno foi brutalmente assassinada em uma travessa da atual Rua Vicente Machado. Seu corpo foi encontrado com a cabeça separada do corpo e ferimentos de navalha nas mãos.
Logo após sua morte, relatos de milagres começaram a aparecer. Todos os anos, no Dia de Finados, milhares de fiéis visitam seu túmulo no cemitério municipal. Existem relatos de curas, libertações de vícios e da devoção como fonte de energia e coragem para os fiéis.