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Série documental que investiga os Arautos do Evangelho estreia na HBO

Série documental “Escravos da Fé – Os Arautos do Evangelho”, da HBO, investiga denúncias e controvérsias envolvendo a congregação católica. A produção chegou a ser suspensa pela Justiça, mas foi liberada pelo STF em decisão que reafirmou a proibição de censura prévia

Série documental que investiga os Arautos do Evangelho estreia na HBO
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A série documental “Escravos da Fé – Os Arautos do Evangelho”, produção original da HBO, já está disponível na plataforma HBO Max e estreia na televisão nesta quarta-feira (12), às 21h. Dividida em três episódios, a obra reúne depoimentos inéditos e investigações sobre a atuação institucional da associação católica Arautos do Evangelho, fundada pelo brasileiro João Scognamiglio Clá Dias.

Produzida pela Endemol Shine Brasil em parceria com a Warner Bros. Discovery, a série aborda denúncias e controvérsias envolvendo o grupo religioso, que afirma atuar em mais de 70 países. A narrativa é construída a partir de entrevistas com membros e ex-membros da instituição, sacerdotes, investigadores, autoridades e familiares de integrantes.

Segundo os produtores, o documentário examina relatos sobre o processo de recrutamento de jovens, promessas de formação educacional e religiosa e o afastamento progressivo de famílias, além de denúncias sobre práticas internas e a estrutura hierárquica da organização. A série também acompanha os desdobramentos investigativos após a morte de uma jovem nas dependências da instituição, episódio que intensificou questionamentos públicos sobre o grupo.

A produção afirma que não busca discutir a fé católica ou emitir juízo sobre a religião, mas analisar documentos, testemunhos e fatos ligados à atuação institucional da associação. A proposta é apresentar diferentes perspectivas sobre o tema e contextualizar o impacto social das denúncias e investigações.

Disputa judicial e decisão do STF

O lançamento da série chegou a ser suspenso por decisão liminar do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em dezembro do ano passado. A medida atendeu a um pedido da associação que representa os Arautos do Evangelho, que alegou que o documentário trataria de fatos relacionados a um processo criminal sob segredo de Justiça conduzido pela Promotoria de Caieiras (SP).

A decisão foi derrubada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a exibição da obra. Para o ministro, impedir previamente a veiculação do documentário configuraria censura prévia, vedada pela Constituição.

“É inadmissível, como regra, a imposição de censura prévia”, escreveu Dino, ao afirmar que proibir a menção à instituição em uma obra futura e incerta violaria o artigo 5º da Constituição.

O ministro também afirmou que a coincidência entre informações apresentadas na obra e dados de processos judiciais não permite presumir quebra de segredo de Justiça. Segundo ele, eventuais abusos na liberdade de expressão podem ser analisados posteriormente pela Justiça, mas não podem ser presumidos de forma antecipada.

Histórico da instituição

Os Arautos do Evangelho foram fundados em 1999 por João Scognamiglio Clá Dias, ex-integrante da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP). A associação foi reconhecida pelo papa João Paulo II em 2001 e tem orientação católica tradicionalista.

Os membros são conhecidos pelo uso de um hábito marrom e branco com uma grande cruz no peito, semelhante à iconografia de ordens medievais. A instituição mantém atividades religiosas e educacionais, incluindo programas de formação em regime de internato e semi-internato.

Em 2019, o Vaticano determinou uma intervenção na associação, após investigação interna apontar problemas nos modos de vida adotados pela congregação. Dois anos antes, o próprio Clá Dias havia renunciado ao cargo de superior-geral da sociedade clerical ligada ao grupo.

Posicionamento da associação

Em nota, a Associação Arautos do Evangelho afirmou que não defende censura à liberdade de expressão, mas considera o documentário “ofensivo” e afirma que ele apresenta informações que “faltam com a verdade”.

A entidade sustenta que as acusações mencionadas na produção já foram analisadas pela Justiça sem resultar em condenações. Segundo a associação, retomar esses temas como se fossem inéditos demonstraria desrespeito às decisões judiciais.

Os Arautos também afirmam que a produtora teria tido acesso a informações sigilosas, argumento usado anteriormente na tentativa de impedir judicialmente a exibição da obra.

Produção

A série “Escravos da Fé – Os Arautos do Evangelho” tem direção de Marcelo Canellas e direção geral de Cassia Dian. A produção executiva é de Nani Freitas e Allan Lico, pela Endemol Shine Brasil. Pela Warner Bros. Discovery, assinam Sergio Nakasone, Adriana Cechetti e Luciana Soligo.

Tags: Cultura Brasil

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