O salário de março de trabalhadores terceirizados do Instituto Água e Terra (IAT), do Governo do Paraná, só caiu no dia 15. A situação é recorrente desde novembro de 2025, segundo mês de vigência com a empresa Brasil Serviços Ltda. (BSL), que venceu a licitação.
O contrato entre empregador e trabalhadores, no entanto, está vencido desde 14 de fevereiro deste ano. Desde então os empregados trabalham sem qualquer vínculo formal e por essa razão têm medo de cobrar os próprios salários.
Entre os profissionais ligados à BSL estão recepcionistas, operadores de máquina, serventes de limpeza, vigias florestais, jardineiros e auxiliares de serviços gerais, que atuam não só nas Unidades de Conservação e Parques Estaduais, mas também em outras unidades do IAT. Nesta semana um grupo de trabalhadores chegou a abrir uma vaquinha para poder pagar as contas devido aos atrasos de salários.
No mês passado, uma reportagem do Bem Paraná revelou que houve paralisação por conta da falta de pagamento. Agora, trabalhadores ouvidos pelo Plural, relataram que muitos vão até os postos para os quais são contratados, mas não exercem algumas atividades por medo de acidentes o como forma de cobrar os próprios salários.
O pagamento de março, por exemplo, foi feito pelo IAT após contato da reportagem para esclarecer a situação. “Teve gente que passou a Páscoa sem dinheiro e o décimo terceiro também demorou para vir”, explicou um trabalhador de forma anônima ao Plural.
Já a licitação entre a BLS e o IAT tem vigência até 31 de julho deste ano, conforme dados do Portal da Transparência. O valor inicial contratado atual é de mais de R$ 9 milhões.
O objeto desta licitação previa a contratação de “serviços continuados de (...) limpeza, asseio, conservação e outros, com seus respectivos uniformes e EPIs, insumos-materiais e equipamentos-ferramentas, por meio de metodologia de contratação por postos de trabalho com dedicação exclusiva de mão de obra (...)”.

Ou seja, quem foi contratado pela BSL não poderia trabalhar em outros locais, mas a realidade é bem diferente. “Eu mesmo faço bicos, porque tenho contas para pagar e não tem como ficar sem receber. Aqui também tem muitas mães com filhos pequenos, pessoas que dependem de ônibus e aí têm que dar um jeito de pagar as coisas sem salário”, lamenta um dos trabalhadores.
Os trabalhadores atuam em parques como o Serra da Baitaca, Parque Estadual Pico do Marumbi e o Parque Estadual Pico do Paraná. Recentemente visitantes dos locais também relataram problemas nos acessos, por exemplo: a recepção feita por meio de QR Codes porque não havia trabalhadoras para fazer o cadastro direto de quem chegava aos locais.
Instituto Água e Terra
O pagamento do salário de março foi feito pelo IAT e não pela empresa, segundo informou o próprio Instituto ao Plural.
Em nota, o IAT destacou que a responsabilidade do pagamento é da empresa BSL, que, por sua vez, não respondeu aos questionamentos da reportagem.
Os problemas nos pagamentos dos terceirizados, de acordo com o IAT, estão sendo apurados e podem resultar em rescisão de contrato.
Integra da nota:
O Instituto Água e Terra (IAT) destaca que a responsabilidade pelo pagamento dos salários dos colaboradores é da empresa contratada a partir de processo licitatório.
Diante dos constantes atrasos, e mesmo sem ter qualquer obrigação contratual, o IAT optou por fazer o pagamento das folhas de janeiro e fevereiro com recursos próprios. Já a folha de março será quitada nos próximos dias. A medida é excepcional e o órgão já adota as providências cabíveis para garantir o ressarcimento.
A apuração do caso está em fase final de tramitação dentro do Instituto, podendo, inclusive, resultar na rescisão do contrato com a empresa terceirizada.
