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Vereadoras de oposição a Pimentel são alvo de mais três representações na Câmara

Giorgia Prates e Camilla Gonda poderão enfrentar sindicâncias. Caso de suposto nepotismo envolvendo Eder Borges será avaliado na segunda-feira

Vereadoras de oposição a Pimentel são alvo de mais três representações na Câmara
A vereadora Camilla Gonda. Foto: Carlos Costa/CMC
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As vereadoras Giorgia Prates (PT) e Camilla Gonda (PSB), que integram a oposição ao prefeito Eduardo Pimentel (PSD) na Câmara Municipal de Curitiba (CMC), vão enfrentar novas sindicâncias na Corregedoria do Legislativo. As portarias foram publicadas na edição de terça-feira (1º) no Diário Oficial do Município. A assessoria de Comunicação da CMC não informou o motivo das representações. 

O Plural apurou que a representação contra Giorgia Prates foi protocolada pelo vereador Eder Borges (PL), por causa da fala do parlamentar sobre o grupo supremacista branco norte-americano Ku Klux Klan (KKK). Na sessão do dia 22 de abril, Borges disse que a KKK foi criada para "desarmar os negros norte-americanos". O bolsonarista disse ainda que "a esquerda gosta de fantasiar, inventar dados e números para dizer que esse país mata LGBTs" e que "as mulheres falam em feminicídio, um termo inventado".

Giorgia Prates reagiu e disse considerar a fala irresponsável e desrespeitosa. “É uma ofensa direta à minha existência enquanto mulher negra, à memória do meu povo e de todas as pessoas que conhecem e sentem o peso da violência racista que essa, por assim dizer, organização, representa”, disse a vereadora. Borges teria denunciado a parlamentar por considerar a fala “ofensiva”. Giorgia também representou contra Eder Borges, mas a denúncia foi arquivada pelo corregedor da Câmara, vereador Sidnei Toaldo (PRD).

As outras duas representações são contra Camila Gonda (leia abaixo a nota enviada pela vereadora). A primeira teria sido movida pelo vereador Renan Ceschin (Podemos), que teria acusado Gonda de se comportar de "maneira desrespeitosa, debochada e provocativa" durante uma fala sua na tribuna. O Plural entrou em contato com a assessoria de Ceschin, que disse não ter autorização para comentar a informação.

A outra representação foi protocolada pelo vereador Olimpio Araujo Junior (PL). Em maio, o bolsonarista afirmou nas redes sociais que Camila Gonda finge trabalhar e “só aparece de salto” no Instagram. A vereadora reagiu na sessão do dia 27 de maio. 

“Um homem que reduz o trabalho de uma mulher a detalhes superficiais, como se isso definisse competência. Eu digo com firmeza que o problema não é o meu salto, o problema é que eu incomodo. Eu incomodo porque faço política de verdade, porque eu trabalho e porque eu tenho compromisso com a população”.
Camilla Gonda, vereadora, em resposta a Olímpio Araújo, em maio

A parlamentar apresentou um comparativo das atividades de ambos os mandatos. O proncunciamento foi considerado como um ato de “violência política” por Olímpio – o mesmo vereador que disse ter “inimigos” na Câmara na sessão de 28 de maio, ao defender Eder Borges de uma denúncia de nepotismo. "Amigos dos nossos inimigos são nossos inimigos também", afirmou Olímpio, que ainda ameaçou a líder do bloco de oposição a Pimentel, Giorgia Prates, com um "processo criminal coletivo".

Camilla Gonda rebateu Olimpio de Araújo na sessão do dia 27 de maio | Foto: Rodrigo Fonseca/CMC

Procurado desde quinta-feira (3) pelo Plural, o corregedor da Câmara, Sidnei Toaldo, não deu retorno às mensagens.

Nepotismo

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara se reunirá na próxima segunda-feira (7) para decidir se aceita a representação contra Eder Borges por suspeita de nepotismo. A sessão será transmitida pelo canal do YouTube da Câmara, de acordo com a CMC.

A denúncia foi apresentada por Giorgia Prates. Segundo matéria publicada pelo site "The Intercept Brasil", Borges mantém um relacionamento afetivo com Andreia Gois Maciel, que é a mãe de Victoria Maciel de Almeida, chefe de gabinete do vereador com um salário aproximado de R$ 17 mil.

Além disso, Andreia Gois Maciel era funcionária do Instituto Municipal do Turismo, ligado à Prefeitura de Curitiba, mas dizia prestar serviços jurídicos no gabinete de Eder Borges. Ela foi exonerada no dia 30 de abril – somente após a publicação da denúncia.

Neste ano, 17 o número procedimentos desse tipo foram instaurados pela Corregedoria. Nove foram arquivados, um foi encaminhado ao Conselho de Ética (caso de Eder Borges) e as demais investigações seguem em andamento. O prazo regimental para esse tipo de apuração é de 30 dias, prorrogável em situações justificadas. Ainda não houve aplicação de penalidades em decorrência das sindicâncias abertas neste ano.

Nota de Camilla Gonda

Segue a nota enviada pela assessoria da vereadora Camilla Gonda:

Nosso mandato foi surpreendido com a publicação de duas sindicâncias no Diário Oficial da Câmara Municipal, procedimentos que buscam apurar fatos envolvendo meu nome. Embora a praxe da Casa seja manter a discrição sobre essas apurações, a divulgação pública nos motiva a esclarecer a situação.

No que tange ao primeiro procedimento, sou acusada por um vereador de supostamente ter me comportado de "maneira desrespeitosa, debochada e provocativa" durante sua fala na tribuna. Quero deixar claro que estou absolutamente tranquila quanto a essa alegação. As sessões plenárias são transmitidas ao vivo e qualquer um pode conferir a lisura da minha conduta. É importante ressaltar que, durante a própria sessão que se refere, o vereador em questão chegou a pedir desculpas, caso eu tivesse me sentido ofendida – o que, por si só, já indica a ausência de qualquer ofensa intencional de minha parte.

O segundo procedimento me parece muito mais grave. Nele, outro parlamentar estaria alegando a prática de violência política contra ele. Isso me soa como uma clara tentativa de inversão de papéis. Minha convicção é que a acusação se baseie no dia em que usei a tribuna para me defender e rebater publicamente ataques misóginos e desrespeitosos feitos por esse parlamentar em suas redes sociais, onde ele atacou minha vestimenta e buscou descredibilizar o trabalho de todo o nosso mandato. 

Tenho plena confiança na seriedade e competência do presidente da Corregedoria, o vereador Sidnei Toaldo, para avaliar essas situações com o rigor necessário e determinar o arquivamento dessas denúncias infundadas, que visam apenas desgastar e desviar o foco do trabalho legislativo sério.

Nestes primeiros meses de mandato, a realidade da política tem exigido de mim e da minha equipe uma coragem ainda maior. Me parece que, claramente, estão tentando usar o meu nome e o que eu represento para tentar me silenciar. No entanto, quero deixar uma mensagem clara: não vou me calar.

Lutarei com total firmeza contra qualquer tipo de violência política, especialmente a violência política de gênero. Cada tentativa de cercear meu trabalho, de deslegitimar minha atuação ou de violar os interesses da população encontrará em nosso mandato uma voz ainda mais forte e combativa. A transparência com a população e a defesa intransigente dos direitos das mulheres na política são alguns dos pilares do nosso mandato, e continuaremos nessa luta.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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