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Violência nas escolas: tirem o Rambo da porta da escola da minha filha

Na frente do CMEI três guardas municipais fortemente armados, um com a arma na mão. Faz sentido?

Violência nas escolas: tirem o Rambo da porta da escola da minha filha
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Essa semana todo mundo que tem filhos em idade escolar se envolveu de uma forma ou outra no pânico gerado por boatos e casos de violência em escolas do país. Boatos de ameaças correram soltos por grupos de pais no Whatsapp, fomentando uma falsa sensação de que um atentado a uma escola perto de cada um está prestes a acontecer. Para mim, essa crise toda chegou ao ápice hoje: na porta da creche da minha caçula um trio de guardas municipais que pareciam estar diante de um iminente assalto à banco exibiam armas e o visual "Rambo" para supostamente acalmar as famílias.

É algo chocante e muito triste chegar para pegar uma criança em idade pre-escolar na escola e fazê-la ter que passar ao lado de um camburão e três pessoas fortemente armadas, uma delas com a arma na mão. Que espécie de postura é essa? Que protocolo estavam seguindo esses guardas? Para que a arma na mão?

Quem não estava a par da situação toda e do pânico promovido por informações falsas poderia deduzir, ao ver os guardas diante da escola que algo terrível havia acontecido. Mas só era hora das famílias buscarem suas crianças na creche.

Se a intenção era acalmar ânimos, lamento informar, não foi esse o resultado. Quem já estava em pânico deve ter visto aquela demonstração gratuita de poderio policial como um sinal de que o medo é justificado. Quem não estava pode ter começado a ficar.

Para entender meu incômodo com a situação, por favor, permita que eu faça uma pequena reconstrução do histórico da situação. No início da semana, com a comoção e pânico criados por uma suposta ameaça a uma universidade de Curitiba, famílias assustadas procuraram a direção do CMEI que minha filha frequenta querendo respostas. Como parte da Associação de Pais e Professores e do Conselho Escolar, eu e outras mães acompanhamos a tensão e o cansaço dos profissionais da escola, bem como o empenho de todos em acalmar a situação.

Na terça, numa fala muito ponderada e racional, a secretária municipal de Educação de Curitiba, Maria Silvia Bacila, disse por videoconferência para os gestores das escolas da rede municipal que era preciso ouvir e acolher as famílias e não amplificar "o mal" nem os boatos. Na quarta, um protesto por mais segurança foi convocado para acontecer em frente à escola, mas não teve adesões. A situação parecia ter se acalmado.

Só para nesta quinta a Guarda resolver que era de bom tom colocar o G.I. Joe para dar tchau para os bebês e crianças pequenas.

É importante lembrar também que a Guarda Municipal enfrenta uma crise própria desde que um de seus membros matou um adolescente de 17 anos com um tiro na cabeça. Nas últimas semanas depoimentos dos guardas e informações sobre o caso dão conta de que o tiro que atingiu e matou Caio José Ferreira de Souza Lemes pode ter sido disparado por imperícia.

Não é a primeira vez. Em 2021 a Guarda matou Mateus Noga, de 22 anos, ao tentar conter uma confusão no Largo da Ordem. Não é coincidência que a Guarda tenha se envolvido nessas situações depois de ter abandonado seu papel original, de proteção do patrimônio do município, para virar um Bope de baixo orçamento, treinada pela Polícia Militar, uma força policial conhecida pela violência.

Com essas informações em mente preciso dizer: tenho muito mais medo da Guarda Municipal armada e mal preparada do que de um hipotético ataque. Mas principalmente temo que o próximo passo seja colocar o Rambo para dentro da escola, numa violação clara do espaço educativo. Nossos crianças precisam estar seguras, mas essa segurança também é não as expor à violência de se colocar armas no ambiente escolar.

Esse movimento não ameniza o medo de ninguém. Só insiste no culto às armas que nos trouxe até aqui. E segue numa imposição da força contra o direito, previsto em lei, das nossas crianças terem preservadas sua condição de seres em desenvolvimento.

A nós, pais, resta apenas pedir: Respeitem a escola, respeitem os profissionais da escola, respeitem as crianças. Tirem o Rambo da porta da creche.

Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

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