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Vistoria técnica em molhes de Pontal do Sul levanta alerta sobre a estrutura

A falta de consulta à Universidade Federal do Paraná (UFPR) para o desenvolvimento do projeto dos molhes de Pontal do Sul é um ponto questionado por Marcelo Lamour, professor e pesquisador do LEC-UFPR

Vistoria técnica em molhes de Pontal do Sul levanta alerta sobre a estrutura
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Na tarde da última quarta-feira (1º de abril), foi realizada uma vistoria técnica nos molhes do Balneário de Pontal do Sul, em Pontal do Paraná, no Litoral do Estado. A ação contou com a presença de técnicos do Instituto Água e Terra (IAT) e do Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que segundo a prefeitura, é a responsável pela modelagem dos molhes e pelos estudos das correntes marinhas que embasaram o projeto.

Equipes da administração pública, incluindo as Secretarias Municipais de Planejamento Urbano e Infraestrutura e de Obras e Serviços Públicos, participaram da inspeção ao lado do prefeito Rudão Gimenes. Representantes da EXE Engenharia, empresa responsável pelo projeto executivo, também estiveram presentes.

A supervisão da vistoria ficou por conta do IAT, sendo a primeira medida cautelar tomada pelo Instituto foi interditar a área dos molhes como medida de segurança a moradores e turistas. Ainda, de acordo com a nota da prefeitura, outras ações paliativas foram iniciadas para tentar estabilizar a área, porém não foram mencionadas.

A prefeitura informou que a empresa responsável pelo projeto executivo foi notificada e tem prazo de dez dias para apresentar um laudo técnico com orientações para intervenções definitivas. A gestão municipal salienta ainda que a situação continua sendo acompanhada pelas equipes técnicas, que monitoram o local e avaliam impactos.

Fenômeno recorrente

A assessoria de comunicação da prefeitura de Pontal do Paraná disse que o fenômeno natural que atingiu a região é comum na área costeira, e foi intensificado pela transição da lua crescente para a lua cheia, elevando as marés e aumentando a energia das ondas. O fenômeno é conhecido popularmente como “minhocão”, causando erosão e movimentação de sedimentos, sendo uma ocorrência frequente em Pontal do Sul, especialmente neste período.

Adaptação às novas condições

Moradores e especialistas acompanham com preocupação os processos de erosão e deposição de sedimentos em uma área lizada após a construção de um molhe de grandes dimensões. De acordo com o professor e pesquisador do Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcelo Lamour, o sistema natural está se adaptando às novas condições dinâmicas, o que pode resultar em mudanças nos padrões de erosão e transporte de sedimentos.

Lamour detalha que a região já havia enfrentado eventos erosivos semelhantes no passado, mas a magnitude da obra atual levanta questionamentos sobre o impacto a longo prazo. Uma pesquisa está sendo planejada para entender melhor os processos em jogo e suas implicações regionais.

“A situação na área é algo que se repete frequentemente, inclusive em períodos não relacionados a ressacas. A diferença desta vez é que aconteceu com um molhe mais longo, alto e largo. São diversas as hipóteses para explicar os processos de erosão e deposição dos sedimentos, mas nenhuma delas foi testada cientificamente. Temos dados e informações do contexto anterior a esta última obra, no entanto nada posterior. A dificuldade está no novo contexto imposto pela obra, sobre o ambiente praial”, explica.

Uma questão abordado pelo pesquisador é com relação ao que pode acontecer a partir deste momento. “Quando uma obra desta dimensão é erigida, todo o sistema natural “tenta” se adaptar às novas condições dinâmicas. Assim, os processos de erosão, transporte e deposição sedimentares se manifestam de formas diferentes daquelas que foram observadas anteriormente. Todos os outros eventos erosivos que acompanhamos antes da obra, resultaram na recuperação posterior dos estoques de sedimentos, nas semanas seguintes. Agora, estamos na expectativa do que vai acontecer”, explicou

Análise independente

A falta de consulta à Universidade Federal do Paraná (UFPR) para o desenvolvimento do projeto dos molhes de Pontal do Sul é outro ponto questionado por Marcelo Lamour. De acordo com o professor, a modelagem numérica teve a avaliação técnico-científica por parte de um professor da UFPR, que indicou algumas incoerências que foram comunicadas à Prefeitura. “Este professor foi independente na análise e comunicou os seus comentários e sugestões diretamente ao Secretário de Meio Ambiente de Pontal do Paraná”, declarou.



Prioridades

Lamour acredita que “a prioridade da empresa deve estar voltada para a estrutura do molhe, em detrimento do perfil da praia. A expectativa é de que haja uma reposição natural do perfil, mas essa é uma possibilidade incerta, uma vez que as condições atuais são diferentes das existentes antes da construção do novo molhe”.

Andresa Costa

Andresa Costa

Jornalista por formação, especialista em Comunicação Audiovisual - Cinema e Televisão. Já trabalhei como repórter em jornal impresso, rádio e TV aberta

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