A deputada federal Carol Dartora (PT-PR) recebeu na última quarta-feira (30 de outubro) o 43º e-mail com ameaças e ofensas racistas desde que assumiu o mandato, em janeiro de 2022. A equipe jurídica da parlamentar anexou as mensagens a um pedido formal de investigação criminal protocolado no Ministério Público Federal (MPF), na Polícia Federal e no Departamento de Polícia Legislativa.
De acordo com a assessoria jurídica de Dartora, as mensagens configuram os crimes de racismo, violência política de gênero, instigação ao suicídio, cyberbullying , ameaça, perseguição e violência política contra a mulher.
Na mensagem mais recente, o que chamou a atenção foi o autor citar o número do gabinete da deputada na Câmara. Ele ainda ameaçou incendiar o local. "Vou derramar gasolina sobre o seu inteiro e colocar fogo. Quero sentir o cheiro da sua carne queimando e o seus gritos de horror. Todo o seu sofrimento será em homenagem a todo o povo revoltado com políticos bandidos e parasitas como você", diz a mensagem, enviada pelo e-mail com um nome de mulher.
"Se você não aprende no amor, vai aprender na dor", ameaçou o remetente. "Eu já sei a sua rotina, onde você e o seus parentes moram. Eu não tenho rosto, posso ser qualquer uma, posso até mesmo já ter contato com você."
O Plural teve acesso às 43 mensagens enviadas para a deputada, mas optou por não reproduzir as ofensas racistas.
Em 2020, lideranças de vários partidos, a maioria deles de esquerda, receberam e-mails com ofensas e ameaças, que geraram uma investigação da Interpol, a polícia internacional. Na época, foi apurado que as mensagens tinham a mesma origem, em uma ação coordenada.
Carol Dartora foi a primeira mulher negra eleita deputada federal pelo Paraná. Também foi a primeira mulher negra a ser eleita vereadora em Curitiba, em 2020. Dartora tem 41 anos e é graduada em História, especialista em Filosofia, mestre em Educação e doutoranda em Tecnologia e Sociedade pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).