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Estudante processa vereadores por tumulto em prédio histórico da UFPR e exposição de imagem

Ele também denunciou parlamentares e advogado bolsonarista à PF por danos ao patrimônio público e falsa comunicação de crime durante invasão ao prédio histórico

Estudante processa vereadores por tumulto em prédio histórico da UFPR e exposição de imagem
Os vereadores Guilherme Kilter (de óculos) e Rodrigo marcial tentam acessar o Salão Nobre do prédio histórico da UFPR, em setembro de 2025 / Foto: Tami Taketani/Plural
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Um estudante de Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná (UFPR) processou cinco vereadores de Curitiba em decorrência do ato que resultou na invasão do prédio histórico da instituição, na Praça Santos Andrade, em setembro de 2025. Ele também moveu ações por danos morais e materiais contra o ex-procurador Deltan Dallagnol, o Partido Novo, o advogado bolsonarista Jeffrey Chiquini e Ingo Câmara, vereador em Florianópolis pelo PL.

Na noite de 9 de setembro de 2025, o vereador Guilherme Kilter (Novo) e o advogado bolsonaristas Jeffrey Chiquini falariam na UPFR sobre supostos abusos cometidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no processo contra os condenados por tentativa de golpe de Estado. O vereador Rodrigo Marcial (Novo) estava presente.

Estudantes ocuparam o prédio e a direção do curso de Direito cancelou a palestra, mas Kilter, Marcial e Chiquini insistiram em entrar no prédio. Kilter e Chiquini disseram que ficaram "refugiados" em uma sala. A Polícia Militar invadiu a UFPR, um ato considerado grave, supostamente para resgatá-los.

Depois disso, eles passaram a gravar vídeos na Praça Santos Andrade, chamando os estudantes de "vagabundos", entre outras ofensas. A polícia usou bombas e dois estudantes ficaram feridos. Protegido pela PM, Kilter chegou a correr atrás de um estudante, cena que foi registrada em vídeo.

O vereador Guilherme Kilter durante a confusão na Praça Santos Andrade / Foto: Tami Taketani/Plural

O estudante Marcos André Ribeiro processou Kilter, Marcial, Chiquini e Ingo Câmara, que participaram do ato, por gravarem e divulgarem vídeos em que ele aparece, sem autorização; e a vereadora Tathiana Guzella, que divulgou em suas redes sociais um vídeo em que o estudante aparece durante a sessão em que foi aprovada uma moção de apoio à ação da PM na UFPR, no dia 17 de setembro, na Câmara Municipal de Curitiba.

Partido Novo, Deltan Dallagnol e os vereadores Indiara Barbosa (Novo) e Pier Petruzziello (PP) foram processados por compartilharem alguns dos materiais produzidos pelos demais.

Nas ações, o estudante afirma que foram publicados vídeos que exibem "imagens do Noticiante sem qualquer autorização, associando sua imagem e identidade a termos ofensivos como 'terrorista', 'vagabundo' e 'bandido'". "As publicações tiveram ampla repercussão com milhões de visualizações e expuseram o noticiante a constrangimento público, danos à sua imagem e honra, e prejuízos acadêmicos e sociais", afirmam as ações.

"Os vídeos têm mais de 15 milhões de visualizações. E um monte de comentários toscos".
Marcos André Ribeiro, estudante da UFPR

Audiências no Juizado Especial Cível foram marcadas para o dia 3 de março, quando será ouvida Tathiana Guzella; para o dia 10 de abril, quando será ouvida Indiara Barbosa; e para o dia 14 de abril, para ouvir os demais.

Ingo Câmara Althoff, que já se envolveu em confusões na UFSC e na Univali: vereador de Florianópolis estava na UFPR quando a PM invadiu o prédio / Foto: Tami Taketani/Plural

Denúncia à PF e ao MPF

Ribeiro também fez representações ao Ministério Público Federal (MPF) e à Polícia Federal (PF) contra Guilherme Kilter, Jeffrey Chiquini, Ingo Câmara Althoff, Rodrigo Marcial e os policiais militares que participaram da ação.

A denuncia cita desacato e intimidação de funcionárias da recepção da UFPR; agressão contra um professor de Direito Penal; agressão contra uma aluna atingida com um tapa no rosto; ofensas verbais a estudantes; falsa comunicação dos crimes de furto e sequestro; danos ao patrimônio público federal; convocação de seguidores pelas redes sociais, incitando-os a promover brigas e confrontos; disparo de bala de borracha contra uma aluna, que foi atingida nas pernas; uso de spray de pimenta contra um professor; uso de bombas de gás lacrimogêneo; e detenção arbitrária de alunos, sem justa causa.

Estudante foi atingida nas pernas por balas de borracha disparadas pela PM / Foto: Tami Taketani/Plural

Segundo a denúncia, policiais do 33º Batalhão de PM invadiram o prédio histórico da UFPR após uma comunicação falsa de sequestro. Kilter e Chiquini estavam na sala da direção do curso de Direito. Fora da UFPR, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro ameaçavam os estudantes com a presença dos policiais.

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Tanto Chiquini quanto o perfil oficial do batalhão postaram imagens da visita de cortesia ao escritório do advogado

"Estou representando criminalmente por danos ao patrimônio público federal. Quebraram um balcão na recepção. E também por falsa comunicação de crime, fizeram falsa comunicação do furto de um celular. Alegaram que foram mantidos em cárcere privado, sendo que estavam com três seguranças", disse Ribeiro.

Além das ações, o estudante representou contra Jeffrey Chiquini, Rodrigo Marcial e Pier Petruzziello na Comissão de Ética da OAB-PR e contra Tathiana Guzzela na OAB-SC. Ele denunciou ainda o caso à Corregedoria da PM e ao Conselho de Ética da Câmara de Curitiba.

O Plural entrou em contato com os cinco vereadores de Curitiba citados e com o advogado Jeffrey Chiquini nesta quinta-feira (12 de fevereiro). Rodrigo Marcial e a assessoria de Pier Petruzziello informaram que ainda não foram notificados. Guilherme Kilter informou que não vai se pronunciar e a assessoria de Indiara Barbosa enviou uma nota. O espaço fica aberto aos demais e a todos os citados nesta matéria.

Segue a nota da vereadora Indiara Barbosa:

Informo que não foram compartilhadas imagens do autor ou feita qualquer menção à sua pessoa. A postagem objeto da ação apenas mostra trechos dos eventos ocorridos na UFPR – eventos estes divulgados amplamente por diversas pessoas e veículos de comunicação. Não há, repito, nenhuma ofensa pessoal a qualquer dos envolvidos, o que será devidamente comprovado na Justiça. Agradeço o cuidado e o profissionalismo em buscar me ouvir antes de publicar a reportagem, e aproveito para reforçar meu compromisso com a liberdade de expressão e de imprensa.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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