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Em data simbólica, Londrina realiza primeiro júri pela nova Lei do Feminicídio

Diego Pereira Granada foi condenado a 33 anos pelo feminicídio da ex-sogra, cometido em novembro de 2024

Em data simbólica, Londrina realiza primeiro júri pela nova Lei do Feminicídio
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Neste 25 de novembro, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, a Comarca de Londrina realizou o primeiro júri de um caso denunciado com base na Lei 14.994/2024, que transformou o feminicídio em crime autônomo e não mais uma qualificadora do homicidio. Diego Pereira Granada foi condenado a 33 anos de reclusão pelo feminicídio qualificado de Cibele de Assis Santos, 45, sua ex-sogra. O crime ocorreu no dia 30 de novembro de 2024 no conjunto Vista Bela, zona Norte de Londrina.

Néias - Observatório de Feminicídios de Londrina acompanhou todo o julgamento e divulgou nota na qual ressalta a importância da compreensão da violência de gênero para a condenação.

"Durante os debates, enquanto a defesa buscava descaracterizar a tese de feminicídio, o Ministério Público sustentou que o réu agiu movido por razões de gênero, evidenciadas pelo seu histórico de violência contra múltiplas mulheres. Esse padrão de agressões constitui manifestação direta do sentimento de posse, controle e desvalorização da vida das mulheres.", pontua a associação.

Diego Granada foi condenado por feminicídio qualificado/Foto: Reprodução

"Cada dia que passa está pior"

Filha de Cibele, Ketelin dos Santos Toshizo Randa, 24, foi companheira de Granada. Ela e a irmã acompanharam todo o julgamento nesta terça. Além delas, a vítima tinha outro filho, de 11 anos, que presenciou o crime.

"Está sendo bem complicado, porque desde que minha mãe faleceu, meu irmãozinho, depois de tudo que ele passou, passa por psicólogo, começou a tomar medicamento para dormir, está muito dificil", relata a jovem. Segundo Ketelin, os netos também lamentam a ausência da avó, com quem ficavam nos finais de semana. No próximo dia 30, o crime completa um ano.

"Cada dia que passa está sendo pior. Acho que agora o meu irmão está começando a entender o que aconteceu", relata Ketelin, que está responsável pelos cuidados com a criança. Para ela, a condenação de Granada a 33 anos foi um alívio - ela temia que ele pegasse uma pena mais leve.

"Eu tinha muito medo dele ter chance de sair, não hoje, mas sair logo. Ele estragou uma família, estragou uma vida, e ele precisa pagar tudo isso que fez. Os advogados tentarem reverter tudo, mas Deus me enviou um promotor muito bom. Ele fez o trabalho dele perfeito, tive só que agradecer", finaliza.

Relembre o caso

No dia 30 de novembro de 2024, após uma discussão na garagem da casa de Cibele pela posse de um veículo, Granada matou a ex-sogra com um disparo de arma de fogo no peito. Ele estaria discutindo, inicialmente, com Ketelin. O crime aconteceu na presença dos filhos e de quatro netos de Cibele, além de outras duas crianças.

O Ministério Público efetuou denúncia por feminicídio em contexto de violência doméstica e familiar, com agravantes por ter ocorrido na presença de descendentes, por dificultar a defesa da vítima e por ela ser responsável pelo filho menor. O julgamento ocorreu 360 dias após o crime.

Em documento divulgado sobre o caso, Néias - Observatório de Feminicídios de Londrina, relembra que foram registrados cinco feminicídios consumados na cidade em 2024. Entre as vítimas, além de mulheres em relação íntima com o agressor, houve também uma filha e uma ex-sogra (Cibele). Ao menos sete crianças e jovens ficaram órfãs, cinco delas menores de idade.

"Cibele era mulher, mãe, avó, amiga, trabalhadora. Ela merece ser lembrada. Suas filhas merecem justiça.", arremata o Observatório.

Cecília França

Cecília França

Jornalista há 20 anos, é especialista em Direitos Humanos.

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