Parece história de filme, na verdade é. Luc da Silveira estava maratonando a obra de um dos grandes nomes do cinema found footage (filmes produzidos com imagens pré-existentes) e discutindo sobre o gênero na universidade, quando aconteceu o plot twist: ele – literalmente encontrou um rolo de Super 8 dos anos 70. Foi então que nasceu o experimental “Esse Navio Vai Afundar”, primeira direção do jovem de 24 anos que ainda é um estudante de cinema.
O curta-metragem estreia nesta 13ª edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, na Mostra Mirada Paranaense, a primeira exibição aconteceu dia 15 de junho, sábado, às 14h, no Cinemark Mueller; a próxima sessão será no dia 18 de junho, terça-feira, às 18h30, no Cine Passeio Luz.
“Esse Navio Vai Afundar” (Dir. Luc da Silveira | Brasil | 2024 | 6’)
O curta-metragem é um filme de casamento, com cenas comuns às gravadas nesses eventos, porém elas são distorcidas e levam o espectador para cenas como de um 'pós-casamento', com enquadramentos de praia e lazer misturados a uma trilha sonora estranha. Surge a dúvida se o filme é realmente de um casamento.
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Luc da Silveira
O diretor Luc da Silveira nasceu em Curitiba, trabalha como social media e produtor cultural, e deve concluir o curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Estadual do Paraná ainda neste ano de 2024. Na entrevista a seguir, ele revela como se viu diante da "oportunidade perfeita" para produzir seu primeiro found footage, conta de influências como o cinema de Peter Tscherkassky, e faz indicações na programação do festival, como os curtas da curitibana Heloisa Passos e a aposta no longa paranaense "O Sol das Mariposas". Confira.
Qual a lembrança mais afetiva do cinema em sua vida?
Ir ao cinema na minha adolescência, com a minha família. Há mais de dez anos, adquirimos o costume de ir frequentemente, quase todos os fins de semana, o que fez aumentar o meu interesse.
Quando e por que você decidiu ser cineasta?
Foi em 2019. Não sei dizer o porquê, é algo a ser investigado, porém eu sempre quis contar histórias e provocar. Acho que vi no cinema uma boa oportunidade de provocar as pessoas, além de traduzir um pouco das coisas que se passam pela minha cabeça de maneira visual e sonora, facilitando a expressão dos meus sentimentos mais abstratos.
Como nasceu a ideia para o seu curta-metragem selecionado para a Mostra Mirada Paranaense? Em seu filme, o que deve ter chamado a atenção da curadoria do Olhar de Cinema?
Em 2022, eu estava fazendo uma maratona de filmes do Peter Tscherkassky, cineasta austríaco que trabalha com cinema found footage, ao mesmo tempo em que literalmente encontrei um filme em Super 8 dos anos 70. Logo pensei que seria a oportunidade perfeita para exercitar esse tipo de cinema, no contexto da Universidade também estávamos debatendo o assunto na disciplina de Direção.
Revelei o filme, editei aos poucos e remodelei em algo totalmente novo, de certa forma, diferente de sua base original. Demorou quase dois anos, mas eu consegui tirar o projeto do papel, meu primeiro found footage: um filme dos anos 70, encontrado e remontado a partir de um olhar anacrônico sobre o casamento.
Imagino que a curadoria tenha reconhecido o experimentalismo do curta na forma de misturar elementos consagrados do cinema de vanguarda com uma montagem extremamente contemporânea, pois, apesar de revelado em Super 8, o filme foi editado usando efeitos e distorções dos dias de hoje, criando um certo hibridismo. É um curta que olha para o passado com os olhos atuais. É um exercício claro de anacronismo visual e sonoro.
“Esse Navio Vai Afundar” é o seu primeiro trabalho no cinema?
Não. Como diretor, realizei diversos curtas-metragens universitários, e já atuei também como social media e assistente de produção em outras produções.
Quais são suas principais referências no cinema? Essas influências podem ser reconhecidas no curta-metragem em exibição no festival?
Com toda certeza, a influência de Peter Tscherkassky está mais que gritante na tela. Mas outras referências do cinema experimental podem ser enxergadas no meu filme, como Maya Deren e Man Ray.
Além de “Quarto vazio”, o que você indica para o público assistir no Olhar de Cinema?
Olha, assisti poucos filmes selecionados por enquanto, mas estou curiosíssimo para conferir "Salão de Baile", filme que encerra o festival (me parece que será um evento). Também gosto do cinema de Heloísa Passos*, que terá vários filmes nas Exibições Especiais, e acho que é uma ótima oportunidade para quem ainda não conhece o trabalho da diretora. E pra finalizar, estou curioso para conferir o trabalho de Fábio Allon, em "O Sol das Mariposas"**.
*Os curtas-metragens "Do Tempo que Eu Comia Pipoca" (2001), “Osório” (2008) e “Viva Volta” (2005), dirigidos por Heloisa Passos, serão exibidos: no dia 17 de junho, terça-feira, às 19h50, no Cinemark Mueller (sessão seguida por debate com a atriz Guta Stresser, a montadora Tina Hardy e a documentarista Patrícia Cornils); e no dia 18 de junho, quarta-feira, às 14h15, também no Cinemark Mueller (com roda de conversa com a diretora e presença de Ana França e de Guta Stresser, no hall do cinema).
** O longa-metragem "O Sol das Mariposas" (2024), dirigido por Fábio Allon, tem duas exibições na Mostra Competitiva do Olhar de Cinema: no dia 16 de junho, domingo, às 16h15, no Cinemark Mueller; e no dia 17 de junho, segunda-feira, às 14h15, no Cine Passeio.
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13º Olhar de Cinema – De 12 a 20 de junho
A 13ª edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba exibe produções para as crianças, estreias nacionais e internacionais, obras de cineastas paranaenses e filmes clássicos, no Cine Passeio (R. Riachuelo, 410 – Centro); Cinemark Mueller (Av. Cândido de Abreu, 127, Centro) e no Teatro da Vila (R. Davi Xavier da Silva, 451, Cidade Industrial de Curitiba). A exibição especial de abertura é dia 12 de junho, na Ópera de Arame (R. João Gava, 920, bairro Abranches).
Os ingressos estão à venda no site oficial do evento com valores a partir de R$8 (meia-entrada). Todas as sessões no Teatro da Vila são gratuitas.
Os curtas-metragens brasileiros em exibição no festival também poderão ser assistidos gratuitamente, de 18 de junho a 7 de julho, na plataforma de streaming Itaú Cultural Play.
Programação completa e outras informações aqui, e também nas redes sociais oficiais do evento: Instagram @olhardecinema e Facebook.com.br/Olhardecinema. Verifique a classificação indicativa de cada filme e sessões com acessibilidade de audiodescrição.
A 13ª edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba é realizada por meio do programa de apoio e incentivo à cultura – Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura Municipal de Curitiba, sendo também o projeto aprovado pela Secretaria de Estado da Cultura – Governo do Paraná, com recursos da Lei Paulo Gustavo, e pelo Ministério da Cultura – Governo Federal, com patrocínio do Itaú e Peróxidos do Brasil, apoio do Instituto de Oncologia do Paraná, Sanepar, Cimento Itambé, Favretto Mídia Exterior, e apoio cultural de Projeto Paradiso, Cine Passeio, Instituto Curitiba de Arte e Cultura. Verifique a classificação indicativa de cada filme e sessões com acessibilidade de audiodescrição. A produção é da Grafo Audiovisual.