Uma parteimportante dos filmes de tribunal se passa, é claro, no tribunal: oadvogado-herói apresenta sua defesa (quase sempre é uma defesa) de maneiraespetacular, constrangendo o advogado-vilão e destruindo as testemunhas daacusação. Tem sido assim de “O sol é para todos” (1962) até “Tempo de matar”(1996).
“Luta porjustiça”, em cartaz nos cinemas, é um tipo diferente de filme de tribunal. Aação que importa não se passa na corte, mas fora dela – na cidadezinha doAlabama que serviu de cenário para essa história verídica.
O advogado BryanStevenson acaba de se formar em Harvard e, em vez de seguir um caminho maisóbvio e fazer dinheiro trabalhando em escritórios importantes, ele decide usaro que aprendeu para ajudar pessoas que não teriam como contratá-lo e que, poralgum motivo, não têm acesso à justiça.
Ele viaja para oAlabama, disposto a defender negros condenados à morte que não tiveramjulgamentos justos. São os anos 1990 e Stevenson é negro. Para os negros, oAlabama dos anos 1990 parece estar ainda no século 19 e o racismo é regra.
Os prisioneirosassistidos por Stevenson são pessoas simples que foram negligenciadas pelosistema. Acusados de assassinato, foram defendidos por advogados apontados pelacorte, em um esquema meio pró-forma. É a presunção de culpa.
Um dos casos foium erro flagrante, para não dizer uma perseguição sem fundamento. WalterMcMillian (vivido por Jamie Foxx), um homem que trabalhava com extração demadeira, foi preso, acusado e condenado pelo assassinato de uma jovem branca de18 anos, um crime que comoveu a cidadezinha de Monroeville (terra natal deHarper Lee e o lugar que teria inspirado o livro “O sol é para todos”).
O xerife queriaficar bonito na fotografia, fez o que pôde para incriminar McMillian econseguiu condená-lo com a ajuda do promotor. Para garantir um novo julgamentopara seu cliente, Stevenson precisa encontrar provas que invalidem a primeirasentença.
É assim que elesai por Monroeville em busca da verdade, ou melhor, das mentiras que envolvem ajustiça local. Ele conversa com a família de McMillian, com os vizinhos, osamigos e conhecidos, revira o julgamento anterior e fala com a única testemunhausada para condenar o homem à morte (a acusação não se deu o trabalho deapresentar provas; só a testemunha bastou e ela era bastante suspeita).
No tribunal, odesempenho de Stevenson é OK. A maneira que ele tem de fazer diferença éprestando atenção nas pessoas que quer defender. Os diálogos dele com McMilliansão muito bons – mais por causa de Jamie Foxx do que de Michael B. Jordan. Masambos têm carisma demais.
Jordan é maisconhecido por ter feito, ao lado de Sylvester Stallone, os dois “Creed”. JamieFoxx venceu o Oscar por interpretar Ray Charles em “Ray”. Ver dois sujeitostalentosos desse jeito a serviço de uma história importante, já vale o filme. “Lutapor justiça” mostra que o verdadeiro trabalho de um bom advogado acontece forado tribunal.
Serviço
“Luta por justiça”está em cartaz no Cinépolis Batel e no UCI Palladium.