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Perda de olfato e paladar pode persistir após Covid-19

Mesmo com eliminação do vírus, os dois sentidos podem sumir por meses

Por Admin
Perda de olfato e paladar pode persistir após Covid-19
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Dois dos sintomas característicos da Covid-19 são a perda do olfato e do paladar. Diferente dos outros, eles podem permanecer mesmo após a eliminação do coronavírus. A descoberta é da médica neurologista e professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Viviane Flumignan Zétola. Mesmo curada da doença, ela está há quatro meses sem sentir cheiro ou sabor.

A experiência da profissional foi publicada na revista internacional Crimson Publishers e aponta que estudos recentes revelam complicações neurológicas em 36% dos pacientes infectados pelo coronavírus. As mais comuns são dysgeusia, a diminuição da capacidade de paladar (5,6%) e a hiposmia, ou baixa sensibilidade olfativa (5,1%).

A maioria dos virus podem causar infecções respiratórias e levar à congestão nasal, coriza e anosmia (perda do olfato) mas por pouco tempo. “Com o coronavirus, o desenvolvimento da anosmia é diferente, pois pode acontecer independente do comprometimento respiratório alto e da congestão nasal.  Não tive nenhum desses sintomas, o que me diz que essa via de entrada para o sistema nervoso pode ocasionar um processo inflamatório comprometendo a via olfatória.”

Para a neurologista, a perda de olfato e paladar foi repentina e total, no quarto dia após o início dos sintomas, que foram febre e tosse. Uma pequena retomada do sabor – especialmente com alimentos condimentados - se deu no 20º dia do início da doença. Mesmo após a cura dos demais sintomas, e exames que demonstram boa resposta imunológica ao coronavírus, Viviane ainda persiste com perda de paladar e olfato. “Apresento recuperação para alguns olfatos e paladares específicos, porém para outros posso dizer que é zero.” 

A perda, segundo Viviane, deve ser considerada uma bandeira vermelha para o diagnóstico diferencial de síndromes respiratórias agudas, sugestivo de coronavírus. “As razões para isso ainda não são claras. Esperamos que mais casos, séries e pesquisas se concentrem em informações prognósticas sobre sintomas e seu valor para o desenvolvimento de doenças específicas no futuro.”

Covid-19 e o sistema nervoso

Recentemente, especialistas da Harvard Medical School, nos Estados Unidos, descobriram que o coronavírus ataca as células que fornecem suporte metabólico e estrutural aos neurônios sensoriais, assim como, certas células-tronco e vasos sanguíneos. O estudo, publicado na revista científica Science Advances, indica que o vírus altera o sentido do olfato nos pacientes, não infectando diretamente os neurônios, mas afetando a função das células de suporte.

O estudo aponta 36% dos pacientes com complicações neurológicas decorrentes da Covid-19, sendo mais frequentes tonturas (16%) e dores de cabeça (13%), especialmente em casos graves. “Temos visto também uma espécie de encefalopatia, um comprometimento do comportamento do encéfalo, que pode causar agitação quando o paciente é desligado do respirador. Essa conduta não é comumente vista em outras doenças que requerem auxílio do ventilador mecânico. Nesses casos, as pessoas precisam ser sedadas novamente e, muitas vezes, retornam ao respirador”.

O relato da médica indica um dos motivos que têm contribuído para a escassez de algumas drogas sedativas e para a permanência prolongada em leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). “Percebemos que a Covid-19 pode afetar tanto o sistema nervoso central como o periférico. Há muitos eventos trombóticos e pró-trombóticos que têm capacidade de ocasionar microtromboses e até Acidente Vascular Cerebral (AVC)”, percebe a neurologista.

Com informações de Jéssica Tokarski - UFPR

Tags: Paraná

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